BRASÍLIA — O deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) pediu que as investigações sobre suspeitas de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro sejam conduzidas fora do período eleitoral. O parlamentar é alvo de uma operação da Polícia Federal autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, nesta segunda-feira (14).
Em nota, a defesa afirmou que medidas com esse nível de repercussão deveriam ser realizadas sem proximidade com circunstâncias políticas ou eleitorais. “Cezinha de Madureira está à disposição das autoridades e prestará todos os esclarecimentos necessários”, declarou.
A defesa também disse que o deputado terá acesso aos elementos da investigação e à íntegra do processo. Segundo a manifestação, os fatos serão esclarecidos no devido processo legal, com a demonstração de que nenhuma irregularidade foi cometida.
Suspeitas investigadas
Na decisão, Flávio Dino registrou a existência de indícios de que o deputado aparentaria usar a função parlamentar para criar em terceiros a percepção de que teria influência sobre ministros de tribunais superiores.
A investigação busca esclarecer a existência, a extensão e a estabilidade de uma estrutura voltada à comercialização de influência junto a ministros do STF, do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Superior Eleitoral. A representação policial afirma que os pagamentos ocorreriam por meio de contratos de honorários e de cessão de crédito firmados por advogadas ligadas ao deputado. Uma delas seria a esposa do parlamentar.
A decisão menciona mensagens trocadas entre a advogada Valéria Linhares, a servidora da Câmara Mariângela Fialek e Cezinha de Madureira. Na avaliação de Dino, os diálogos indicariam uma parceria para obter decisões favoráveis em processos que tramitavam no STF, com auxílio do deputado.
A nota da defesa foi datada de Brasília, 14 de setembro de 2026, e ressaltou a confiança do parlamentar na Justiça e na própria conduta.








