A crise envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) não mudou de forma relevante a intenção de voto para presidente, mas reforçou a percepção de que a Corte concentra poder excessivo. Para 76% dos entrevistados, os ministros têm poder demais. Ao mesmo tempo, 71% consideram o tribunal essencial para a democracia.
A pesquisa Datafolha ouviu 2.002 eleitores em 125 cidades entre terça-feira, 8, e quinta-feira, 10. A margem de erro é de dois pontos percentuais. O levantamento foi realizado durante a crise relacionada ao STF, as investigações da Polícia Federal sobre Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e uma disputa interna entre ministros.
As acusações contra Alexandre de Moraes não alteraram a escolha de 85% dos eleitores. No caso de André Mendonça, 86% disseram que as suspeitas não mudaram sua decisão de voto.
Percepção sobre o tribunal
Para 77% dos entrevistados, os brasileiros confiam menos no STF hoje do que no passado. A avaliação varia conforme a preferência eleitoral. Entre eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), 85% dizem que o tribunal tem poder demais. O percentual é de 67% entre os eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Também há diferença na avaliação sobre o papel democrático da Corte. Entre os eleitores de Flávio, 63% afirmam que o STF defende a democracia. Entre os eleitores de Lula, o índice chega a 81%.
As acusações ganharam força após a divulgação de documentos e mensagens ligados à investigação sobre o Banco Master. Daniel Vorcaro foi preso no caso, que apura suspeitas de fraudes bilionárias. Documentos analisados pela Polícia Federal apontaram possíveis conexões entre Vorcaro e integrantes do STF, incluindo Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
A Polícia Federal identificou mensagens e contatos entre Moraes e o banqueiro. Também foi divulgado um contrato de consultoria estratégica entre o escritório de advocacia da esposa do ministro e o Banco Master. Moraes negou irregularidades e afirmou que as acusações distorcem os fatos.
Relatórios da Polícia Federal levantaram ainda suspeitas sobre um fundo de investimento no Caribe ligado a recursos associados a Vorcaro e um empreendimento turístico com participação da família de Toffoli. O ministro negou ter recebido valores, rejeitou relação de amizade íntima com o banqueiro e afirmou que foi convidado por Moraes para participar de um evento financiado por Vorcaro.
Reflexos na disputa eleitoral
O episódio passou a ser usado na disputa entre grupos políticos. Flávio Bolsonaro associou Lula a Alexandre de Moraes, enquanto aliados do governo criticaram decisões e movimentos relacionados a André Mendonça.
O conflito se intensificou depois que Mendonça liberou documentos sigilosos do caso Banco Master aos quais Moraes havia tido acesso. Moraes questionou a legalidade das medidas e apontou possível direcionamento político. Em resposta, Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral e do chefe de inteligência da Polícia Federal.
Edson Fachin, presidente do STF, suspendeu as medidas e marcou uma sessão para discutir a conduta de Moraes. Depois de críticas à divulgação seletiva de informações, os documentos do caso foram liberados integralmente.
Cerca de 66% dos entrevistados afirmam conhecer o caso envolvendo Moraes. Entre eles, 26% dizem estar bem informados. O conhecimento chega a 75% entre eleitores de Flávio Bolsonaro e a 61% entre eleitores de Lula.
O impacto declarado sobre o voto foi limitado: 8% dos eleitores de Lula disseram ter ficado em dúvida por causa do caso, ante 5% entre os apoiadores de Flávio. As suspeitas envolvendo Mendonça são conhecidas por 45% dos entrevistados, e 22% desse grupo se considera bem informado.








