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Data centers viram alvo de disputa política em Ohio antes das eleições
Foto: Reuters
Política

Data centers viram alvo de disputa política em Ohio antes das eleições

Moradores contestam incentivos fiscais e impactos da infraestrutura de IA, enquanto candidatos democratas exploram o tema no estado.

A resistência à instalação de centros de dados ganhou espaço nas disputas eleitorais de Ohio, nos Estados Unidos. Em Defiance, cidade de 17 mil habitantes cercada por plantações de soja, moradores reuniram assinaturas para uma proposta de emenda constitucional que será votada em 3 de novembro e proibiria quase todos os novos centros de dados.

Nenhuma empresa anunciou um projeto na cidade. Ainda assim, a mobilização começou depois que os moradores souberam que o grupo de desenvolvimento econômico do condado havia recebido consultas de empresas de tecnologia. As autoridades municipais também anunciaram uma moratória de seis meses para a aprovação de novos projetos.

A reação ocorre em meio ao aumento das preocupações com os efeitos da inteligência artificial e da infraestrutura de computação em nuvem sobre terras agrícolas, consumo de água e demanda por eletricidade. O tema, antes associado ao crescimento econômico, passou a integrar as eleições de meio de mandato em Ohio e em outras partes dos Estados Unidos.

Incentivos fiscais entram no centro do debate

Registros fiscais estaduais divulgados neste verão indicaram que Ohio deixou de arrecadar mais de US$ 2 bilhões (cerca de R$ 10,2 bilhões) em impostos sobre vendas por causa de incentivos concedidos a centros de dados em 2024 e 2025. Entre as empresas beneficiadas estão Amazon e Meta.

Uma pesquisa da Bowling Green State University, divulgada em 31 de agosto, mostrou que cerca de 71% dos habitantes de Ohio apoiariam uma proibição temporária para novas construções. Para Becca Rupp, fundadora da Citizens for Responsible Development - efiance, “A maioria das pessoas se sente explorada pelas grandes empresas”.

O governador republicano Mike DeWine suspendeu novos pedidos de isenção fiscal para centros de dados enquanto aguarda mudanças na legislação. Os parlamentares estaduais, porém, não aprovaram medidas antes do recesso de verão.

A democrata Marcy Kaptur, que busca a reeleição para a Câmara dos Representantes em um distrito que inclui Defiance, veicula anúncios contra o republicano Derek Merrin. Ela afirma que os incentivos aumentam os custos de serviços públicos e permitem que empresas transfiram despesas aos consumidores.

Segundo a concessionária FirstEnergy, as contas residenciais de eletricidade em Defiance subiram entre 10% e 15% em junho, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Merrin não respondeu aos pedidos de comentário. Em uma publicação no Facebook, disse que Kaptur o responsabilizava por uma isenção aprovada antes de sua eleição para a legislatura estadual.

A disputa pelo Senado também incorporou o assunto. O republicano Jon Husted enfrenta o senador democrata Sherrod Brown, que busca a reeleição. Brown critica o adversário por apoiar investimentos em infraestrutura de IA e incentivos fiscais. A campanha de Husted afirma que ele patrocinou uma proposta para obrigar as operadoras a pagar pela expansão da geração e da transmissão de eletricidade.

Propostas para limitar novos projetos

A divulgação dos subsídios fiscais levou ativistas a tratar os centros de dados como uma questão estadual, além das disputas locais de zoneamento. A Conserve Ohio quer aprovar, em 2027, uma emenda à Constituição estadual que proibiria instalações com consumo superior a 25 megawatts.

O republicano Vivek Ramaswamy apresentou o plano “Ohioans First”, que eliminaria abatimentos locais de impostos sobre a propriedade, destinaria receitas a descontos para proprietários de residências e exigiria que os projetos pagassem custos adicionais de eletricidade para as casas. A democrata Amy Acton propôs restringir incentivos, cobrar dos desenvolvedores a infraestrutura de energia e exigir padrões trabalhistas sindicais.

Os dois candidatos também defenderam limitar construções em terras agrícolas produtivas. A Amazon afirma ter investido quase US$ 40 bilhões (aproximadamente R$ 205,6 bilhões) em Ohio desde 2015. A Meta informa investimentos superiores a US$ 2,3 bilhões (cerca de R$ 11,7 bilhões) no estado desde 2018. As empresas dizem que suas instalações geraram impostos, empregos e outros benefícios econômicos.

Ativistas também cobram transparência sobre quanto os governos locais deixaram de arrecadar em acordos fiscais com operadores de centros de dados. Para moradores de Defiance, o debate passou a envolver a disposição dos representantes eleitos de defender o interesse público diante das empresas de tecnologia.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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