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Acordo nuclear entre EUA e Arábia Saudita amplia tensão com China e Irã
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Acordo nuclear entre EUA e Arábia Saudita amplia tensão com China e Irã

Pacto pode fortalecer a indústria nuclear americana, mas levanta preocupações sobre enriquecimento de urânio e proliferação no Oriente Médio.

O acordo nuclear entre Estados Unidos e Arábia Saudita passou a integrar a disputa pela influência no Oriente Médio. O pacto pode ampliar a participação americana no setor atômico saudita e limitar o avanço da China, mas também gera preocupações sobre uma possível proliferação nuclear na região.

O governo de Donald Trump encaminhou o acordo ao Congresso americano em 24 de agosto. A medida abriu o período de análise previsto pela legislação dos Estados Unidos. Assinado em julho, o chamado Acordo 123 prevê um estudo conjunto de dois anos sobre alternativas para enriquecimento de urânio e conversão.

A possibilidade de Riad desenvolver esse tipo de capacidade é considerada sensível pelo Center for Strategic and International Studies (CSIS). A Arábia Saudita demonstra interesse no enriquecimento há anos e já declarou que poderia buscar armas nucleares se o Irã desenvolvesse uma bomba.

O pacto não define imediatamente como essa questão será resolvida. A discussão ocorre dentro de um projeto saudita de redução da dependência do petróleo. A tecnologia nuclear é vista pelo país como uma forma de aumentar a geração de eletricidade e ajudar na dessalinização de água.

O interesse de Riad pelo setor começou a avançar há mais de uma década. Nos últimos anos, o país procurou parceiros internacionais para construir sua primeira usina nuclear. Washington tenta ocupar uma posição central nesse processo para preservar sua influência estratégica sobre a Arábia Saudita.

A China está diretamente envolvida na disputa. A Corporação Nuclear Nacional da China aparece entre os grupos interessados no programa saudita, enquanto a russa Rosatom também busca espaço. Como empreendimentos desse tipo exigem cooperação de longo prazo para construção, combustível e manutenção, a escolha de um fornecedor pode criar vínculos estratégicos duradouros.

A aproximação entre Riad e Pequim aumentou a preocupação americana. A China ampliou sua presença econômica e militar no Oriente Médio, e sua atuação durante a guerra com o Irã, embora crítica ao uso da força, foi avaliada pelo CSIS como relativamente contida. Isso pode reforçar a imagem chinesa de parceira estável e não intervencionista.

O risco de proliferação é um dos principais pontos de atenção. Se a Arábia Saudita obtiver capacidade própria de enriquecimento ou reprocessamento, outros países do Oriente Médio poderão tentar adquirir tecnologias semelhantes. Riad também poderia manter conhecimentos e componentes que permitissem avançar rapidamente rumo a uma arma nuclear se o cenário de segurança piorasse.

O CSIS avalia que essa estratégia, chamada de latência nuclear, é difícil de acompanhar porque depende das intenções do país. Possíveis efeitos também alcançariam a Coreia do Sul e os Emirados Árabes Unidos, que têm acordos limitando suas capacidades de enriquecimento e reprocessamento. Uma concessão mais ampla aos sauditas poderia estimular pedidos para revisar esses compromissos.

A fiscalização internacional permanece em aberto. A Arábia Saudita não aceitou o Protocolo Adicional da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que amplia as inspeções, e escolheu uma verificação bilateral. Para o CSIS, a decisão gera dúvidas sobre a eficácia das salvaguardas e sobre o papel das instituições internacionais no controle da proliferação.

A AIEA também enfrenta restrições financeiras e operacionais. A agência administra missões na Ucrânia e pode precisar retomar inspeções no Irã, inclusive em instalações danificadas pelo conflito.

O Congresso americano terá 90 dias de sessão contínua para avaliar o acordo, que ainda pode ser alterado. Entre os pontos pendentes estão o enriquecimento, as inspeções e outras condições para a implementação.

Trump deu sinais diferentes sobre o alcance do pacto. Um dia depois da assinatura, afirmou que o acordo não permitiria o enriquecimento de urânio e vinculou sua execução à normalização das relações entre Arábia Saudita e Israel. Riad rejeita essa condição sem um compromisso com a criação de um Estado palestino independente.

Para o CSIS, o caso mostra a volta da energia nuclear ao centro da competição entre grandes potências e das estratégias de segurança de países que buscam reduzir a dependência de aliados. O desafio será conciliar os interesses americanos e econômicos do acordo com limites capazes de evitar uma nova corrida nuclear no Oriente Médio.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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