A polarização continua entre os principais temas das eleições de 2026, mas parte do eleitorado demonstra cansaço e ainda não identifica uma alternativa aos dois polos que lideram as pesquisas: Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A avaliação é de Eduardo Sincofsky, autor do livro “A Polarização no Divã”, publicado pela Editora Mórula.
Candidatos como Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD) tentam se apresentar como uma terceira via. Para Sincofsky, porém, ainda falta um nome capaz de ocupar de forma clara o espaço de quem não se identifica com nenhum dos lados.
“Não sou otimista, me parece que ainda estamos no início do fim da polarização mais tóxica e radicalizada”, afirmou o autor. Ele disse, no entanto, que o discurso mais radical associado às eleições de 2022 perdeu força, o que considera um avanço.
O psicólogo e jornalista realizou mais de 300 pesquisas quantitativas e qualitativas ao longo de 2025 para desenvolver o livro. Segundo ele, os eleitores vivem uma espécie de ressaca emocional e precisam de tempo para mudar de posição.
Candidatos e propostas
Na avaliação de Sincofsky, Ronaldo Caiado, Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) falam em superar a polarização, mas não apresentam propostas capazes de contemplar esse eleitorado. Caiado e Zema, segundo o autor, perdem apoio desse grupo ao defenderem anistia para condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília.
Renan Santos, por sua vez, desagrada parte desse público ao mencionar um “banho de sangue” no combate ao crime organizado. Para Sincofsky, essas posições acabam aproximando os candidatos de um dos polos, em vez de criar uma alternativa.
Augusto Cury poderia ocupar esse espaço, segundo o autor, e seu crescimento nas pesquisas de intenção de voto estaria relacionado a isso. Ainda assim, Sincofsky vê dúvidas sobre o candidato do Avante. Ele é reconhecido como conhecido, intelectual, calmo e de fala pausada, mas suas propostas ainda não são claras para os eleitores.
Efeitos da polarização
No livro, Sincofsky analisa emoções, comportamentos e a sensação de falta de candidato. Ele afirma que a polarização funciona como uma “utopia” ao facilitar a escolha por um dos lados, sem exigir uma decisão mais elaborada.
O autor também diz que o ambiente polarizado reduziu as conversas sobre política e levou muitas pessoas a guardar suas opiniões. Para ele, eleitores passam a vestir personagens e a comprar brigas que não são próprias.
Sincofsky afirma que o fenômeno também aparece na Argentina, na Colômbia e na Venezuela. Ele continua fazendo levantamentos e considera usar os dados em um segundo livro, com comparações sobre a mudança dos sentimentos antes e depois das eleições.








