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Saúde mental divide propostas dos candidatos à Presidência em 2026
Política

Saúde mental divide propostas dos candidatos à Presidência em 2026

Planos citam atenção a jovens, cuidadores, escolas e apostas, mas diferem sobre redes sociais e expansão do atendimento.

O fortalecimento da rede pública e o financiamento permanente aparecem como desafios centrais da saúde mental no Brasil. O país lidera o ranking mundial de transtornos de ansiedade e tem as maiores taxas de depressão da América Latina. Entre crianças e adolescentes, 1 em cada 7 apresenta algum transtorno mental, de acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) teve 180 novos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) habilitados nos últimos dois anos. Ainda assim, 484 municípios não têm nenhum CAPS, e há menos de 324 CAPS infanto-juvenil (CAPSi) para mais de 50 milhões de jovens. Apenas 27% das Unidades Básicas de Saúde (UBS) contam com equipes multiprofissionais de referência.

O que os planos propõem

Luiz Inácio Lula da Silva concentra as propostas nos jovens, com a implementação da Política Nacional de Atenção Psicossocial, ações em escolas e universidades e ampliação da RAPS e dos CAPS. O plano também prevê medidas para pessoas com transtorno do espectro autista (TEA), outras neurodivergências, mulheres em situação de violência e pessoas com problemas ligados a jogos de aposta. O ambiente digital não é mencionado.

Flávio Bolsonaro prioriza a saúde mental dos cuidadores e propõe atenção a crianças com transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), pessoas com depressão e ansiedade, idosos com Alzheimer e outras doenças neurológicas. O plano cita o esporte para jovens. Sobre apostas, prevê impedir o uso de recursos de programas sociais e fazer campanhas contra o endividamento. A proposta não aborda os efeitos das redes sociais.

Augusto Cury defende que o cuidado comece na escola, com programas permanentes de prevenção à ansiedade, depressão, automutilação, bullying e violência escolar. A proposta também inclui conscientização sobre o ambiente digital e um Programa Nacional de Saúde Mental com participação de empresas, universidades, unidades e forças de segurança.

Cury propõe ainda a Gestão da Emoção, metodologia desenvolvida por ele para treinar o “eu” a liderar a mente e superar a ansiedade. O método não possui validação científica, segundo a avaliação apresentada. O plano não menciona o vício em jogos de aposta.

Renan Santos não apresenta diretrizes específicas para a saúde mental. As propostas se concentram em gargalos do Sistema Único de Saúde (SUS), como filas de atendimento e a falta de um prontuário único digital.

Ronaldo Caiado sugere ampliar a RAPS e os CAPS, criar equipes de saúde mental nas UBS e capacitar continuamente profissionais da rede pública. Também propõe integrar saúde, educação, assistência social e trabalho para enfrentar fatores como vulnerabilidade socioeconômica, violência e isolamento. O plano prevê ações para pessoas viciadas em apostas on-line e suas famílias, mas não detalha os efeitos das redes sociais nem direciona medidas específicas a crianças e adolescentes.

Prioridades para a rede

A Agenda Mais SUS 2027-2030, lançada pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) e pela Umane, defende financiamento permanente para a saúde mental na atenção primária, expansão de CAPSi em áreas vulneráveis, ampliação de Unidades de Acolhimento, criação de leitos psiquiátricos em hospitais gerais e implantação de CAPS nos municípios que ainda não têm unidades.

O documento também propõe regras mais rígidas para plataformas digitais. A gerente de Relações Institucionais do IEPS, Júlia Pereira, afirmou que Lula dá atenção especial à juventude, enquanto Caiado é mais explícito sobre a ampliação da rede. Para ela, a proposta de Flávio Bolsonaro se concentra na responsabilização do cuidador, e Renan Santos não cita saúde mental.

Pereira também criticou a ausência de expansão da rede no plano de Cury e o uso de uma teoria própria sem validade científica comprovada. Ao mesmo tempo, reconheceu que ele menciona de forma mais clara a integração da saúde mental nas escolas.

A especialista defendeu a capacitação da atenção primária para os primeiros acolhimentos, com participação estruturada das escolas e medidas baseadas em evidências. Também afirmou que o controle das plataformas digitais deve ser tratado como proteção à saúde mental e que as propostas sobre apostas on-line costumam priorizar a renda familiar e o combate às apostas ilegais, sem abordar o tema de forma ampla pela ótica da saúde mental.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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