As doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, câncer e AVC, respondem por 74% das mortes no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde. No Brasil, elas já são a principal causa de adoecimento e morte, de acordo com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass).
Os cinco candidatos à Presidência mais bem colocados na pesquisa de intenção de voto da Quaest divulgada em 14 de setembro apresentam propostas diferentes para prevenção, diagnóstico e tratamento dessas doenças. A Atenção Primária em Saúde, principal porta de entrada do SUS, aparece como eixo de parte das medidas.
Propostas dos candidatos
Luís Inácio Lula da Silva promete manter e ampliar o Programa de Atenção Domiciliar ao Idoso — PADI Brasil, que atende pessoas idosas com limitações funcionais e condições crônicas em mais de 2.655 municípios. Também propõe incluir exames laboratoriais para diagnóstico e acompanhamento de condições crônicas no Farmácia Popular.
O plano ainda prevê mais investimento na atenção básica, expansão e qualificação das equipes de saúde da família, ampliação de ferramentas digitais, como teleconsultas e teleorientação, e reforço do Mais Médicos, com formação em medicina de família e comunidade.
Flávio Bolsonaro (PL) menciona as doenças crônicas no contexto do envelhecimento da população. Entre as propostas para a atenção básica estão ampliar a Estratégia da Família, criar um programa de atendimento aos idosos, aumentar o acesso a exames preventivos e implantar a entrega de remédios em domicílio.
Augusto Cury (Avante) apresenta, no 13º projeto de seu plano, a proposta de transformar o Brasil em uma plataforma pública de medicina digital. O 14º projeto trata do enfrentamento ao câncer, com base na experiência do Hospital do Amor, em Barretos (SP). O candidato também propõe comitês chamados Sociedade Está Abraçando e ações de prevenção de doenças crônicas na saúde da mulher.
Renan Santos (Missão) não faz propostas específicas para as DCNTs. Seu plano prioriza a redução de filas por meio de tecnologia e prevê o Prontuário Eletrônico Nacional Interoperável, que conectaria serviços de saúde em um histórico único.
Ronaldo Caiado (PSD) defende o SUS e apresenta o conjunto mais amplo de medidas relacionadas ao tema. Entre elas estão a vinculação de cada cidadão a uma equipe de referência, o acompanhamento de pessoas com hipertensão, diabetes, obesidade, alto risco cardiovascular e doença renal, além da modernização das unidades básicas com conectividade, prontuário interoperável, prescrição eletrônica e telemedicina.
Caiado também propõe a ação Brasil cardiovascular: prevenir, reconhecer e tratar a tempo, além de medidas para prevenção, rastreamento e modernização do tratamento do câncer.
Atenção primária como prioridade
A Agenda Mais SUS 2027-2030, elaborada pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde e pela Umane, defende a expansão da Atenção Primária com qualidade e a cobertura universal pela Estratégia Saúde da Família.
Em 2021, a estratégia cobria 66% da população e estava estagnada. A cobertura passou de 67,4% para 72,8% entre 2022 e 2025. Segundo a agenda, a atenção básica pode diagnosticar e tratar a maioria dos casos de doenças crônicas, reduzindo a pressão sobre serviços especializados e hospitais.
Para o Conass, a Atenção Primária deve atuar na prevenção, no diagnóstico precoce, na avaliação de riscos e no acompanhamento contínuo dos pacientes. O conselho afirma que o SUS precisa deixar de estar concentrado no atendimento de situações agudas e fortalecer o financiamento, a organização das redes e a atenção primária.
Entre os cinco planos analisados, a proposta de Caiado é apontada como a única com uma ação específica de prevenção cardiovascular, incluindo estratificação de risco e controle de hipertensão, diabetes, dislipidemia, obesidade e tabagismo.








