O governo de Donald Trump teria destinado US$ 1 milhão a uma campanha contra o Supremo Tribunal Federal (STF). O recurso, intitulado “Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil”, financiaria grupos da sociedade civil contrários ao que descrevem como excesso de atuação judicial e censura da corte.
A verba teria sido liberada na quarta-feira, poucas horas antes do vencimento para o uso de recursos originalmente destinados à agenda de direitos humanos. Fontes familiarizadas com a concessão dos subsídios afirmaram que a distribuição sofreu pressão direta de integrantes do governo Trump.
O Departamento de Estado não comentou o caso. O repasse faria parte de um conjunto de 43 concessões que somam US$ 176,9 milhões e estão relacionadas a causas conservadoras em diferentes partes do mundo. Os recursos foram retirados do principal fundo do Departamento de Estado.
Não está claro quais grupos receberiam diretamente o dinheiro nem qual seria o alcance da iniciativa no Brasil. A concessão ocorreu apesar de preocupações e pedidos do Congresso para que o governo não avançasse com os repasses.
Medidas contra autoridades brasileiras
Durante o governo Trump, o ministro Alexandre de Moraes foi alvo de sanções impostas pela Casa Branca por meio da Lei Magnitsky. O mecanismo permite bloquear ativos financeiros e impedir a entrada de cidadãos estrangeiros nos Estados Unidos sem autorização do Congresso.
Flávio Dino e Gilmar Mendes também tiveram os vistos de entrada nos Estados Unidos temporariamente suspensos em 2025. Todas as medidas adotadas contra os ministros, incluindo as sanções pela Lei Magnitsky, já foram revogadas.
Jason Miller, aliado e ex-assessor de Trump, publicou no mês passado uma imagem produzida por inteligência artificial que mostrava Moraes usando uma tornozeleira eletrônica. Em agosto de 2025, Miller também atacou o presidente Lula em uma publicação nas redes sociais.
Outros repasses
O maior subsídio mencionado é de US$ 40 milhões, destinado a um consórcio liderado pela Victims of Communism Memorial Foundation, organização sem fins lucrativos anticomunista. Andrew Bremberg, ex-assessor de política interna da Casa Branca e ex-embaixador dos Estados Unidos junto ao escritório da ONU na Europa, aparece como líder sênior da fundação.
Outro programa, chamado “Promovendo Aliados da Civilização Ocidental”, receberia US$ 2 milhões. A iniciativa seria restrita a executores que não adotam narrativas sobre direitos humanos consideradas ideologicamente instrumentalizadas, como a ideologia de gênero. O documento cita possíveis beneficiários na Polônia, Eslováquia, República Tcheca, Hungria e nos Bálcãs.








