A articulação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) levou ao adiamento da votação, no Senado, da proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6×1. A matéria avançou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, anunciou que a análise no plenário deve ocorrer somente depois das eleições de 2026.
A mudança ocorreu após Flávio conversar com Alcolumbre e argumentar que a votação poderia desequilibrar as eleições. A avaliação de integrantes do governo e de senadores da base e da oposição é que a tensão no Supremo Tribunal Federal, provocada pelos desdobramentos do escândalo do Banco Master, abriu espaço para a articulação.
Os questionamentos envolveram a relação do ministro Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro e a relatoria do ministro André Mendonça nos inquéritos relacionados aos casos do Master e do INSS. Com o Supremo no centro do noticiário, a estratégia para postergar a votação teria avançado sem grande reação pública.
Proposta alternativa
Antes de atuar pelo adiamento, Flávio tentou aprovar uma proposta de remuneração por hora trabalhada. A medida manteria a escala 6×1 como limite e deixaria eventuais reduções de jornada e escala para negociação entre patrão e empregado.
O texto alternativo não avançou na CCJ. Na comissão, o senador Rogério Marinho (PL-RN), autor da proposta da oposição e coordenador da campanha de Flávio, pediu vista, mas a análise foi retomada uma hora depois. Ele também tentou incluir trechos da proposta alternativa na PEC do fim da 6×1, sem sucesso.
Flávio evitou declarar publicamente que votaria contra a mudança e afirmou que apoiaria “a favor da nossa proposta”, em referência à PEC da Hora Trabalhada. Ele também disse: “Nós vamos trabalhar pela liberdade, para que o trabalhador brasileiro possa escolher a sua própria carga horária de trabalho ou como é que vai trabalhar”.
Apoio à redução da jornada
A proposta tem apoio de cerca de 70% da população e reúne defensores em diferentes grupos ideológicos. Na Câmara, 472 dos 513 deputados aprovaram a mudança. No PL, apenas 11 dos 97 deputados votaram contra o fim da escala 6×1 em maio.
Defensores da PEC no governo avaliam que o adiamento pode dificultar a aprovação, porque a disputa por dois terços das cadeiras do Senado era vista como um incentivo para o apoio dos parlamentares. O relator da matéria na CCJ foi Omar Aziz (PSD-AM), que reagiu a uma fala de Rogério Marinho sobre os custos da redução da jornada com manutenção dos salários.








