O ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), bloqueou Gilmar Mendes no WhatsApp após uma discussão entre os dois. O desentendimento começou depois que votos na Segunda Turma formaram maioria pela manutenção do afastamento do delegado-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Na sessão virtual, Nunes Marques votou pelo afastamento, acompanhando decisão de André Mendonça. O voto foi incluído menos de cinco minutos depois do voto de Luiz Fux, poucos minutos após Gilmar Mendes pedir vista e adiar a conclusão do julgamento.
Gilmar interpretou a sequência como um movimento organizado entre os colegas e enviou mensagens a Nunes Marques. A conversa incluiu referências a familiares dos ministros em mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro. O tom aumentou, e Gilmar afirmou que os colegas pareciam servos e submissos a Mendonça, além de cobrar transparência nas contas bancárias.
“Assumam q estao ferrados e saiam dos processos. Abram as contas”, escreveu Gilmar Mendes. Nunes Marques pediu respeito e disse que aquela não era uma postura adequada. Depois, respondeu: “Então não me tecle pois não falo com quem não me respeita”.
Gilmar também sugeriu que Nunes Marques e Fux não participassem do julgamento e defendeu que o ministro deixasse a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em outra mensagem, pediu transparência nas contas antes de julgamentos de processos do Banco Master na Segunda Turma. Nunes Marques afirmou que prestava contas havia 15 anos.
A relação se deteriorou novamente durante a análise sobre o prosseguimento da investigação contra Alexandre de Moraes. Nunes Marques chegou a sinalizar que votaria pelo avanço do procedimento, o que irritou o entorno de Moraes, incluindo Gilmar.
Na terça-feira (15), Nunes Marques declarou-se impedido de analisar o episódio. Ele afirmou que, como presidente do TSE, queria evitar a contaminação política do caso.
Mensagens do celular de Vorcaro também mencionam pagamentos mensais de R$ 500 mil para Kevin Nunes, filho de Nunes Marques. O diálogo foi atribuído a Luiz Rennó, então diretor jurídico do Banco Master. Nunes Marques negou que o filho tenha prestado serviços ao banco e disse que “nunca” trocou mensagens com Vorcaro.








