A Polícia Federal pediu esclarecimentos sobre a origem e o destino do dinheiro repassado por Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, para o financiamento de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O relatório foi enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e se tornou público após a liberação do sigilo de novos processos relacionados ao caso Master.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, em maio, que os recursos foram integralmente aplicados na produção do filme. Ele disse à CNN que a produtora poderia apresentar contrato ou prestação de contas para comprovar a utilização do dinheiro.
A PF, porém, registrou que ainda precisam ser esclarecidos “a origem, o trânsito, a destinação e os beneficiários finais dos valores movimentados”. Um dos pontos analisados é o Havengate Development Fund LP, sediado nos Estados Unidos, que recebeu parte das transferências.
Transferências para o fundo
De acordo com o relatório, a Entre Investimentos e Participações, empresa ligada a Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, enviou US$ 12,33 milhões ao Havengate entre fevereiro e setembro de 2025. Os valores eram semelhantes às parcelas previstas em um acordo de financiamento de US$ 24 milhões para Dark Horse, que na época tinha o nome de Capitão do Povo.
Mensagens encontradas no celular de Vorcaro também foram analisadas. Em fevereiro de 2025, diante de dificuldades para realizar um pagamento destinado ao filme, ele orientou que a operação fosse feita “via Entre”. Depois, Fabiano Zettel informou que o dinheiro seria enviado para um fundo.
Poucos dias mais tarde, Zettel encaminhou um comprovante de transferência de US$ 2 milhões da Entre para o Havengate, realizada em 13 de fevereiro, indicando que o pagamento se destinava ao filme.
O fundo havia sido criado em 2020 para captar recursos para um empreendimento imobiliário de US$ 21,1 milhões em Melissa, no Texas, dentro do programa EB-5. Segundo a PF, o projeto não avançou e o fundo ficou “operacionalmente inerte por quase quatro anos”, até receber os primeiros valores ligados ao financiamento de Dark Horse, em fevereiro de 2025.
Para os investigadores, a reativação de um fundo criado para finalidade imobiliária e usado em remessas internacionais para uma produção cinematográfica exige apuração sobre a compatibilidade entre o veículo financeiro e o destino declarado dos recursos.







