A disputa pelo controle do Senado a partir de 2027 se tornou prioridade para PT e PL. As duas legendas concentram recursos do fundo eleitoral nas candidaturas à Casa, que terá renovação de dois terços das cadeiras: 54 de 81.
As prestações de contas entregues pelos partidos ao Tribunal Superior Eleitoral mostram que o PL destinou mais de 100 milhões de reais às campanhas para o Senado, quase um quarto dos 465 milhões de reais aplicados por todas as siglas. O PT aparece em seguida, com 57,2 milhões de reais. Juntos, os partidos têm catorze das vinte candidaturas mais caras da eleição; dez são do PL.
A relevância do Senado também está ligada à possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser reeleito e encontrar uma Casa presidida por um bolsonarista. O PL tem quinze cadeiras e disputa o Senado em boa parte dos estados.
Disputa em torno do Supremo
Entre as principais razões para a mobilização está o poder do Senado sobre o Supremo Tribunal Federal. Cabe aos senadores sabatinar e aprovar indicados pelo Planalto para a Corte. O próximo presidente poderá indicar quatro ministros: há uma vaga de Luís Roberto Barroso e Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes estão próximos da aposentadoria por idade.
O bolsonarismo também usa como bandeiras o impeachment de ministros do STF e a anistia aos condenados por tentativa de golpe. O debate ocorre em meio a suspeitas sobre relações de integrantes da Corte com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, especialmente Alexandre de Moraes.
“O plano do PL é ter senadores para emparedar o STF e aprovar com folga a anistia”, afirma Eduardo Grin, cientista político da FGV-SP. Segundo ele, o PT busca no Senado uma proteção contra pautas da direita, diante da falta de condições para controlar a Câmara.
Em abril deste ano, o Senado rejeitou Jorge Messias, aliado de Lula, para o STF. Foi o primeiro veto a um indicado ao cargo em mais de 130 anos.
Candidatos e eleição da Presidência
O PL lançou 33 candidatos ao Senado, com gasto médio de 3,2 milhões de reais por candidatura. O PT tem dezenove concorrentes e investe, em média, 2,9 milhões de reais em cada campanha.
Entre os nomes apoiados estão Michelle Bolsonaro, no Distrito Federal, e Carlos Bolsonaro, do PL. Pelo PT, aparecem Gleisi Hoffmann, no Paraná; Rui Costa, na Bahia; e Benedita da Silva, no Rio de Janeiro. Também são citados Guilherme Derrite, do PP, em São Paulo; Marcel van Hattem, do Novo, no Rio Grande do Sul; Cid Gomes, do PSB, no Ceará; e Helder Barbalho, do MDB, no Pará.
Depois da eleição para as cadeiras, haverá a disputa pela Presidência do Senado, em fevereiro de 2027. O atual presidente, Davi Alcolumbre, do União Brasil-AP, tentará renovar o mandato. Caso a direita bolsonarista conquiste ampla vantagem, Rogério Marinho, do PL-RN, é apontado como um nome forte para o cargo.
O presidente do Senado define a pauta de votações, incluindo pedidos de impeachment e de CPI, e pode convocar sessões do Congresso para analisar vetos do Planalto. A proximidade de Alcolumbre com o governo Lula e ministros do STF desagrada ao PL e a parte da direita.
A nova composição do Congresso deverá influenciar a tramitação de propostas que o governo quer discutir após a votação. Entre elas estão a mudança na escala de trabalho 6×1, a PEC da Segurança Pública e uma medida provisória relacionada às bets.
Desde a redemocratização, quatro dos sete presidentes eleitos — José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso — ocuparam cargos no Senado antes ou depois da Presidência. A Casa também aprovou os impeachments de Fernando Collor e Dilma Rousseff.








