RECIFE — A governadora Raquel Lyra virou o cenário da disputa pelo governo de Pernambuco e passou a aparecer à frente de João Campos nos levantamentos recentes. A vantagem, porém, ainda está no limite da margem de erro, segundo a Quaest.
Em março, o ex-prefeito do Recife tinha 60,9% das intenções de voto, contra 22,2% da adversária, de acordo com o Paraná Pesquisas. A aprovação de Raquel Lyra, apontada em 68% pelo mesmo instituto, é um dos fatores que favorecem a governadora.
Raquel também mantém a visibilidade de quem está no comando do estado. Campos deixou o cargo em abril, ao renunciar ao mandato, e tenta repetir a trajetória do pai, Eduardo Campos, e do bisavô, Miguel Arraes, que chegaram ao governo pernambucano.
Disputa pelo interior
O socialista construiu sua força eleitoral no Recife, onde foi reeleito prefeito em 2024 com 80% dos votos. Para avançar no interior, participou na terça-feira 8 da procissão de Nossa Senhora da Penha, em Serra Talhada, ao lado da prefeita Márcia Conrado, do PT.
Na cidade, Campos também falou sobre a descentralização do atendimento de saúde para as regiões de Caruaru, Vale do São Francisco e Araripe. Ele anunciou ainda a criação de um centro de tratamento contra o câncer no Hospital Eduardo Campos, em Serra Talhada.
A presença de Raquel no interior cresceu depois da mudança do PSDB para o PSD. O partido passou a reunir setenta prefeitos, o equivalente a 40% do total, e superou o PSB.
Apoio de Lula
O presidente Lula é outro elemento da campanha. Natural de Pernambuco, ele tem 60% de aprovação e 58% das intenções de voto no primeiro turno, conforme pesquisa Real Time Big Data de setembro. Apesar de declarar apoio a Campos em vídeo e de o PT integrar a coligação do ex-prefeito, Lula não deve se envolver muito na disputa.
Raquel mantém independência no cenário nacional e reúne apoios de diferentes espectros políticos. Para a cientista política Priscila Lapa, “Tanto a governadora quanto João se mostram como aliados do presidente”.
Campos, de 32 anos, também enfrenta perda de alcance nas redes sociais. Embora tenha 1,1 milhão de seguidores a mais no Instagram, ele obtém alcance menor que o da governadora. O resultado da disputa deverá definir o tamanho político do candidato, visto como uma aposta de renovação da esquerda nacional.








