MACAPÁ — O Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP) cassou o diploma do suplente de vereador Luanderson de Oliveira Alves, conhecido como “Caçula”, após aceitar recurso do Ministério Público Eleitoral (MPE). O tribunal também declarou o político inelegível por oito anos e aplicou a mesma pena ao intermediário Rosemiro de Carvalho Freitas, o “Bira”.
A decisão reconheceu abuso de poder econômico nas eleições municipais de 2024. Segundo o MPE, Luanderson teria se beneficiado da estrutura e do domínio territorial da FTA — Família Terror do Amapá, facção que atuaria no Residencial Macapaba, conjunto habitacional com mais de 30 mil moradores.
Apoio político e mobilização
Luanderson é filiado ao PSD, partido de Antônio Paula de Oliveira Furlan, o “Dr. Furlan”, prefeito de Macapá por dois mandatos consecutivos, entre 2021 e 2026, e candidato ao governo do Amapá.
Durante o julgamento, a procuradora regional eleitoral no Amapá, Sarah Cavalcanti, afirmou que Rosemiro seria uma liderança da facção e teria participado de conversas com Luanderson para mobilizar lideranças comunitárias, chamadas de “cabeças de bairro”.
“O candidato Luanderson, quando quis se candidatar, inclusive ele é faccionado, ele buscou apoio da facção por meio de Rosemiro e Rosemiro confirmou que daria esse apoio da facção a ele”, disse Sarah.
No recurso, o MPE afirmou que o controle armado das comunidades teria sido usado como principal ativo econômico da campanha. Para o órgão, a organização criminosa transformou áreas inteiras em “currais eleitorais fechados”, reduzindo gastos com propaganda e cabos eleitorais e impondo coerção ao processo eleitoral.
A decisão do TRE-AP pode ser contestada por meio de recurso.








