RIO DE JANEIRO — O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira, aceitou uma ação contra a chapa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSB) por supostas irregularidades no Carnaval de 2026. A denúncia foi apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e admitida na sexta-feira (18).
A ação questiona o desfile da Acadêmicos de Niterói, que abriu o Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro com um enredo sobre a trajetória política de Lula. Os autores alegam abuso de poder político e econômico por causa de repasses feitos à escola depois da confirmação do tema, em junho de 2025.
Repasse e exposição
A denúncia cita R$ 9.650.000,00 destinados à Acadêmicos de Niterói pela prefeitura do Rio e de Niterói, pelo estado do Rio e pela Embratur, além de recursos privados. Na época, o PT afirmou que o apoio financeiro público havia sido concedido igualmente às escolas de samba para a realização do Carnaval.
Também são questionadas a transmissão do desfile em TV aberta por aproximadamente 79 minutos e a divulgação posterior dos materiais em plataformas digitais. Para os autores, a exposição teria antecipado a campanha eleitoral de Lula e ampliado o tempo de divulgação do candidato.
Com a decisão, Lula e Alckmin terão cinco dias, depois de notificados, para apresentar a defesa. A ação seguirá em tramitação no TSE.
Flávio Bolsonaro e o candidato a vice-presidente Alfredo Gaspar (PL-AL) pedem, caso sejam reconhecidos abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação, a cassação dos registros ou diplomas de Lula e Alckmin. Eles também solicitam que os dois sejam declarados inelegíveis por 8 anos, a partir das eleições de 2026.
A denúncia requer ainda que sejam ouvidos a primeira-dama Janja da Silva, o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, e o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves Barreto.
O enredo apresentado pela Acadêmicos de Niterói foi “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. Lula acompanhou o desfile na Sapucaí, em um camarote, ao lado do prefeito do Rio na época, Eduardo Paes, e de outros aliados. Janja não desfilou e foi substituída pela cantora Fafá de Belém no último carro alegórico.








