O ministro Cristiano Zanin afirmou, durante uma sessão do Supremo Tribunal Federal (STF), que já recebeu um pedido sigiloso da Polícia Federal para investigar um integrante da Corte. A declaração ocorreu na última terça-feira, 15, durante o julgamento que analisava a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes por supostas relações impróprias com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Zanin não informou o nome do ministro mencionado. O integrante era Kassio Nunes Marques, citado em investigações sobre um esquema de venda de decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça (STJ), revelado em 2024.
O nome de Nunes Marques apareceu em uma conversa atribuída a um perfil falso que usava sua identidade e trocava mensagens com o lobista Andreson Gonçalves. Os diálogos tratavam do possível retorno ao cargo do desembargador João Ferreira Filho, do Tribunal de Justiça do Mato Grosso, afastado sob suspeita de comercializar decisões judiciais.
As investigações concluíram que a mensagem era uma montagem. Depois disso, uma petição sigilosa relacionada ao caso foi arquivada a pedido da Procuradoria-Geral da República. Zanin disse que, no episódio, o magistrado teve a oportunidade de se manifestar e que a Procuradoria-Geral da República pediu o arquivamento do procedimento, identificado como Pet 13228.
Mensagens envolvendo Vorcaro
A referência ao caso ocorreu em meio à discussão sobre as mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Três ministros — Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes — acessaram, no último dia 14, o conteúdo de um dos telefones do banqueiro.
Pouco antes do julgamento, novas mensagens armazenadas por Vorcaro foram divulgadas. Os diálogos indicariam proximidade do banqueiro com outros julgadores, o que poderia criar impedimentos para a participação deles na sessão plenária. Após a divulgação, Kassio Nunes Marques declarou-se impedido.
O texto também menciona um contrato de 129 milhões de reais entre o banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa de Alexandre de Moraes. A existência do contrato foi publicada no final de 2025.







