A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) marcada para a próxima terça-feira, 15, pode ser ampliada por pedidos apresentados pelos ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin. O plenário discutirá a validade de um relatório policial que apontou relações entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Moraes solicitou que seja analisado junto com o caso um pedido para investigar André Mendonça. O ministro acusa o relator do caso Master no STF de ter determinado uma apuração sobre ele sem autorização prévia do tribunal. Para Moraes, a conduta poderia configurar abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
Zanin, por sua vez, encaminhou ao presidente da Corte, Edson Fachin, um pedido para que os ministros tenham acesso ao acervo original do celular de Vorcaro. O aparelho teria permitido aos investigadores identificar mais de 50 mensagens enviadas a Moraes pelo ex-dono do Master.
As conversas incluem pedidos de intervenção na Polícia Federal e no Ministério Público para proteger o banco de investigações, tratativas para encontros privados e uma consulta sobre a possibilidade de Vorcaro deixar o país antes de ser preso.
Possível pedido de vista
O criminalista Aury Lopes Jr. avaliou que os pedidos podem transformar a sessão, inicialmente destinada a examinar a legalidade do relatório policial, em uma sequência de discussões sobre outros temas. Na avaliação dele, isso poderia impedir que o plenário tratasse diretamente do futuro de Moraes.
Lopes também apontou a possibilidade de um pedido de vista ou de um prolongamento das discussões. A medida entraria em conflito com a estratégia de Mendonça, conforme a avaliação apresentada no caso.
Referência à Operação Spoofing
O pedido de Zanin para acessar os arquivos do celular de Vorcaro foi associado à Operação Spoofing. Na ocasião, Zanin ainda era advogado de Luiz Inácio Lula da Silva na Lava-Jato e conseguiu expor mensagens que indicavam combinação de decisões e estratégias entre o então juiz Sergio Moro e a antiga força-tarefa de Curitiba.
Depois das revelações, as condenações contra Lula foram anuladas, e a Lava-Jato perdeu credibilidade. Em março de 2021, Fachin anulou os processos contra Lula e devolveu ao petista a possibilidade de participar da disputa política. Mais tarde, Moro foi declarado parcial.
Lula defendeu a “quebra completa do sigilo” do caso Master e citou a Operação Spoofing como exemplo para a divulgação das informações.
Agora, Fachin deverá conduzir a sessão que é vista como um primeiro passo para o STF tentar enfrentar a crise de imagem e credibilidade mencionada no caso. A combinação dos pedidos apresentados por Moraes e Zanin, porém, pode levar o julgamento a um desfecho imprevisível.








