ETIÓPIA — Uma mulher de 30 anos precisou passar por uma cirurgia de emergência após desenvolver uma obstrução intestinal rara três dias depois do parto. O caso foi descrito em um relato publicado na última terça-feira (8/9) no World Journal of Obstetrics and Gynecology.
A paciente havia dado à luz sem complicações, mas começou a piorar três dias depois. Ela não conseguia evacuar nem eliminar gases e apresentava dor abdominal intensa, inchaço e episódios frequentes de vômito.
Ao chegar ao hospital, estava em estado crítico, com sinais de desidratação e circulação comprometida. Depois de receber soro para a estabilização inicial, foi submetida a uma cirurgia exploratória de urgência.
Durante o procedimento, os médicos descobriram que uma parte do intestino delgado havia se enrolado ao redor do intestino grosso. O movimento formou um nó que bloqueou a passagem do conteúdo intestinal e interrompeu o fluxo de sangue.
Sem irrigação adequada, cerca de 60 centímetros do intestino delgado e parte do intestino grosso sofreram necrose. Também foi encontrado líquido sanguinolento acumulado no abdômen.
Os cirurgiões removeram os trechos afetados e reconstruíram o trajeto intestinal. Temporariamente, desviaram parte do intestino delgado para uma abertura no abdômen, ligada a uma bolsa externa. A paciente recebeu alta seis dias depois e, em outro momento, passou por uma nova cirurgia para reverter o desvio.
Possíveis fatores
Os autores do relato afirmam que o quadro costuma estar associado a características anatômicas. Um intestino delgado mais móvel pode facilitar que ele se enrole sobre outras partes. Períodos prolongados sem alimentação seguidos por refeições maiores também são apontados como uma possibilidade, mas essa hipótese não foi confirmada no caso.
A influência da gravidez e do pós-parto ainda não está clara. Alterações hormonais podem reduzir o movimento intestinal e favorecer a prisão de ventre, mas a paciente não tinha histórico desse problema.
A ocorrência é incomum, e há poucos registros durante a gravidez ou após o parto. Dor abdominal em piora, inchaço, vômitos repetidos e incapacidade de evacuar ou eliminar gases exigem avaliação médica. O atendimento rápido e a cirurgia foram decisivos para a recuperação da paciente.








