Mais de 200 mil pessoas morrem todos os anos no Brasil em decorrência do câncer, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca). A doença é a segunda causa de morte no país e pode provocar um processo de luto muito antes da morte do paciente.
O diagnóstico e o tratamento costumam alterar a rotina, a autonomia, os papéis familiares, a fertilidade, a sexualidade e a percepção que a pessoa tem do próprio corpo e da própria saúde. Cirurgias, quimioterapia e radioterapia também podem tornar a jornada longa e invasiva.
Perdas ao longo da doença
A psicóloga clínica Erika Pallottino, especialista em luto, explica que o diagnóstico oncológico inicia uma experiência de perda ligada à vida antes da doença. Nesse processo, a rede de apoio e a relação com a equipe de saúde podem ajudar na adaptação e no enfrentamento.
Sarah Ananda, líder nacional da especialidade de cuidados paliativos da Oncoclínicas, afirma que o sofrimento não está restrito à possibilidade de morte. Por isso, reconhecer e acolher as emoções durante o tratamento pode evitar que a dor se intensifique.
Quando o paciente se aproxima do fim da vida, familiares e amigos precisam lidar com os próprios sentimentos enquanto oferecem apoio. Não há uma orientação única para todos os casos. A recomendação é manter uma presença empática, sem julgamentos ou imposições, priorizando vínculos de confiança.
Os cuidados paliativos também podem contribuir nesse período ao buscar reduzir o sofrimento e respeitar o paciente em suas dimensões física, emocional, social e espiritual.
Sentimentos e apoio
Medo, tristeza, raiva, alívio e culpa podem aparecer durante o luto. Para Cristiane Bergerot, psico-oncologista e líder nacional de especialidade da equipe multidisciplinar da Oncoclínicas, não existe uma forma certa ou errada de sentir. As emoções precisam ser acolhidas sem pressa e sem julgamentos.
A pessoa enlutada deve ter sua autonomia respeitada. Ouvir com atenção, oferecer silêncio e evitar frases que tentem corrigir ou apressar a dor são formas de apoio. Ajuda prática também pode fazer diferença, como preparar refeições, auxiliar nas tarefas da casa ou oferecer carona para os filhos.
É possível perguntar periodicamente se a pessoa precisa de ajuda, desde que isso seja feito com cuidado e sem invasão. A presença deve apoiar, não impor um caminho.
Quando procurar suporte
O suporte especializado em saúde mental pode ser necessário quando o sofrimento ultrapassa a capacidade de enfrentamento e provoca dificuldades no trabalho, nas relações pessoais, no sono ou na alimentação.
A rede de apoio tem papel importante na reconstrução após a perda. Pessoas com histórico de depressão ou outras vulnerabilidades emocionais podem precisar de acompanhamento psicológico específico para o luto.








