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Anvisa apreende produtos irregulares e alerta para riscos de uso no Brasil
Foto: Anvisa/Reprodução
Saúde

Anvisa apreende produtos irregulares e alerta para riscos de uso no Brasil

Operações no Rio de Janeiro retiveram tirzepatida, retatrutida, GHK-Cu e anabolizantes sem registro sanitário.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apreendeu mais de mil produtos sujeitos a controle sanitário durante a primeira quinzena de setembro, em 19 operações realizadas em voos do Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim. As ações contaram com a Receita e a Polícia Federal do Brasil.

Foram retidas 347 unidades de versões irregulares de tirzepatida, 572 unidades de retatrutida e 198 unidades de GHK-Cu, um peptídeo injetável sem aprovação e vendido para fins estéticos. Também foram apreendidos 113 frascos de anabolizantes. Uma ocorrência terminou com a prisão de um passageiro por crime contra a saúde pública e contrabando.

As abordagens se concentraram em passageiros vindos de Foz do Iguaçu, na divisa com o Paraguai, e de rotas internacionais originadas em Dubai e Amsterdã.

Tirzepatida e retatrutida

A tirzepatida é o princípio ativo dos medicamentos Mounjaro e Zepbound, da farmacêutica Eli Lilly. Os produtos são indicados para o tratamento do diabetes tipo 2 e o controle do peso em adultos com obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades.

Não há genéricos ou similares aprovados de tirzepatida. Segundo o endocrinologista Clayton Macedo, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, produtos vendidos com esse nome podem conter impurezas ou ser diferentes do original.

As versões irregulares também não oferecem garantia sobre concentração, composição, esterilidade, armazenamento ou conservação. Medicamentos injetáveis exigem cuidados específicos durante o transporte, e falhas nessas condições podem comprometer a qualidade do produto.

A retatrutida ainda é experimental e está em desenvolvimento pela Eli Lilly. Nenhuma agência reguladora do mundo aprovou sua comercialização. No Brasil, a Anvisa informou que a empresa responsável pelos estudos sequer solicitou o registro do medicamento.

Sem a avaliação regulatória, não há garantia sobre a eficácia, a segurança, a dose, os efeitos adversos, as interações com outras substâncias ou a qualidade do produto. Na Austrália, autoridades registraram, desde janeiro de 2026, casos de lesão hepática aguda relacionados a produtos não aprovados vendidos como retatrutida. Em agosto, havia sete casos documentados.

GHK-Cu e anabolizantes

O GHK-Cu ganhou espaço em produtos injetáveis voltados à estética, mas não tem registro na Anvisa como medicamento, cosmético, suplemento ou outra categoria sanitária autorizada. Estudos experimentais e pesquisas com uso tópico não comprovam a segurança da aplicação por injeção.

A médica Lilia Guadanhim, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, afirmou: “Não há nenhum estudo com essa molécula na forma injetável em humanos”. A Anvisa também alertou que GHK-Cu, BPC-157, TB-500, CJC-1295 e ipamorelina não têm registro e não oferecem garantia de segurança, origem ou composição.

Anabolizantes são hormônios sintéticos derivados da testosterona. Alguns podem ser usados na reposição de testosterona em situações clínicas específicas, com prescrição médica. Fora dessas indicações, os riscos incluem alterações cardiovasculares, aumento da pressão arterial, mudanças no colesterol e nos triglicérides, problemas hepáticos, alterações hormonais e efeitos psiquiátricos.

Em mulheres, podem ocorrer acne, aumento de pelos, queda de cabelo e alterações na voz, algumas potencialmente irreversíveis. A Anvisa proíbe a manipulação, a comercialização e o uso de implantes hormonais à base de esteroides anabolizantes ou hormônios androgênicos para fins estéticos, ganho de massa muscular ou melhora do desempenho esportivo.

A agência afirma que produtos não registrados não passaram pelas avaliações necessárias para autorização sanitária. A falta de controle pode impedir que o consumidor saiba exatamente qual substância está sendo aplicada ou ingerida.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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