A pesquisadora trans colombiana Brigitte Baptiste-Ballera questiona ideias tradicionais sobre natureza e ecologia no livro Transecologia. A obra reúne ensaios que relacionam ciência, comportamento de insetos, tradições humanas, tecnologia e agricultura para ampliar o entendimento sobre o que é ecologia.
Para a autora, a natureza não existe separada das pessoas. Está em transformação permanente e não se ajusta a estereótipos fixos. A partir dessa perspectiva, os textos abordam um conjunto de interações que vai além das relações observadas em um bosque, incluindo os vínculos entre seres humanos, máquinas e ambientes modificados.
A obra não apresenta certezas definitivas nem um plano prático para transformar o mundo. Em vez disso, reúne reflexões e provocações sobre a forma como a humanidade organiza o conhecimento e interpreta a diversidade da vida.
Conceitos e transformações
Baptiste-Ballera critica a necessidade de classificar tudo como uma maneira de controlar a incerteza. “Classificar é quase um ato doentio ao qual recorremos como terapia para enfrentar a diversidade infinita do mundo”, escreve.
Outro eixo do livro é a influência humana sobre os próprios corpos e os habitats. A autora menciona a criação dos metaversos e do ecossistema ciborgue, além dos desafios relacionados às características que surgem dessas novas formas de interação.
A arte também aparece como instrumento de questionamento. Segundo Baptiste-Ballera, ela desafia pretensões de autoridade e expõe regras apresentadas como naturais para justificar interesses de determinados grupos.
Com o conceito de transecologia, a pesquisadora propõe uma leitura da ecologia como campo de transformações contínuas, no qual natureza, cultura, tecnologia e sociedade participam de relações em constante mudança.








