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Calor associado ao El Niño pode elevar riscos para coração e cérebro
Foto: MTStock Studio/Getty Images
Saúde

Calor associado ao El Niño pode elevar riscos para coração e cérebro

Desidratação, perda de eletrólitos e fumaça de queimadas aumentam a sobrecarga cardiovascular e podem favorecer eventos neurológicos.

O El Niño, marcado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, pode trazer efeitos que vão além das condições meteorológicas. Episódios de calor intenso, baixa umidade e queimadas exigem mais do organismo para controlar a temperatura e podem sobrecarregar o coração e o cérebro.

Efeitos sobre o coração

Em temperaturas elevadas, o corpo aumenta o fluxo de sangue para a pele e a produção de suor para dissipar o calor. Com isso, o coração acelera para ajudar a manter a pressão arterial. A transpiração excessiva, quando não é acompanhada pela reposição de líquidos, provoca perda de água e de eletrólitos, como sódio e potássio.

Esse processo pode causar desidratação, deixar o sangue mais concentrado e alterar a atividade elétrica do músculo cardíaco. A combinação entre vasos dilatados, batimentos acelerados e maior concentração do sangue também aumenta a necessidade de oxigênio do coração.

“Quando a temperatura sobe, o coração precisa trabalhar mais justamente em um momento em que a desidratação pode reduzir o volume circulante”, explica Nilton Carneiro, cardiologista do Hospital Santa Catarina - Paulista. Segundo o médico, a perda de eletrólitos pode favorecer alterações do ritmo cardíaco.

Em pessoas com condições anteriores, como aterosclerose, esse desequilíbrio pode elevar o risco de arritmias, taquicardia, desmaios e infarto do miocárdio. Julianny Freitas, cardiologista da Casa de Saúde São José, afirma que os atendimentos relacionados ao calor excessivo aumentam e que a desidratação pode levar o coração a um estado de sobrecarga.

Exaustão e golpe de calor

A exposição intensa ao calor pode causar exaustão, com suor excessivo, fraqueza, tontura, náuseas e pele fria ou úmida. Nessa situação, a orientação é procurar um local fresco, ingerir líquidos, afrouxar as roupas e deitar com as pernas elevadas.

O golpe de calor, também chamado de choque térmico ou intermação, é uma emergência médica. A temperatura corporal ultrapassa 40ºC, e podem ocorrer pele quente e seca, confusão mental, perda de consciência e convulsões. É necessário chamar socorro urgente e resfriar a pessoa com água fria e ventilação. Se ela estiver desacordada ou confusa, não deve receber líquidos.

Riscos neurológicos e fumaça

O calor e a perda de líquidos também podem reduzir o fluxo sanguíneo no cérebro, favorecer desequilíbrios eletrolíticos e aumentar a propensão à formação de coágulos. Maurício Hoshino, neurologista do Hospital Santa Catarina - Paulista, alerta que o golpe de calor pode causar alteração da consciência, convulsões, edema cerebral e outras complicações.

Temperaturas elevadas estão associadas ao aumento de casos de AVC, tanto isquêmico quanto hemorrágico, além de pior prognóstico e maior mortalidade. Crises epilépticas, enxaqueca, sintomas de Parkinson e esclerose múltipla também podem piorar. Em pessoas com demência, podem surgir confusão mental e declínio cognitivo.

A fumaça das queimadas libera partículas finas que chegam às regiões profundas do sistema respiratório e desencadeiam inflamações. Esse mecanismo pode facilitar a coagulação do sangue e aumentar os riscos cardiovasculares e cerebrovasculares em pessoas suscetíveis.

Como reduzir os riscos

As medidas de proteção incluem manter a hidratação, evitar exercícios intensos e exposição direta ao sol entre 10h e 16h, usar roupas leves, manter os ambientes ventilados ou climatizados, escolher uma alimentação leve e evitar álcool.

Tontura, fraqueza intensa, dor de cabeça, náuseas, cãibras, palpitações e queda de pressão indicam a necessidade de interromper a exposição ao calor, descansar e se hidratar. Confusão mental aguda, convulsões, desmaios, dor no peito, falta de ar importante, perda de força ou alteração na fala exigem avaliação médica imediata.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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