O El Niño que avança pelo Brasil pode intensificar ondas de calor, períodos de seca, chuvas irregulares e queimadas. A previsão é de que os efeitos sejam sentidos principalmente a partir de setembro, com piora no final do ano e extensão até o começo de 2027.
O fenômeno ocorre quando as águas de uma faixa do Oceano Pacífico equatorial permanecem mais quentes do que a média por vários meses. Segundo o meteorologista Leydson Dantas, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a expressão “super El Niño” não é usada na classificação acadêmica. Ainda assim, as previsões indicam uma intensidade que pode ser rara.
Efeitos esperados no Brasil
No Norte e no Nordeste, o ar quente e com pouca umidade pode reduzir as chuvas, afetar os rios e favorecer incêndios. No Sul, correntes de vento podem dificultar o avanço de frentes frias e aumentar o volume de chuva. Já no Sudeste e no Centro-Oeste, a previsão é mais irregular, com possibilidade de tempestades pontuais, ondas de calor e períodos de seca.
O engenheiro Pedro Ivo Camarinha, diretor do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), explica que o El Niño permanece no Oceano Pacífico e altera os padrões de circulação da atmosfera por um período prolongado. Para o meteorologista Leydson Dantas, as condições do Atlântico também precisam ser acompanhadas, porque influenciam a umidade em diferentes regiões.
Riscos para a saúde
As ondas de calor podem provocar desidratação, queda de pressão e agravamento de doenças cardiovasculares. Crianças e idosos estão entre os grupos mais vulneráveis, mas qualquer pessoa pode sofrer estresse térmico. Em situações graves, o corpo perde a capacidade de se resfriar e a temperatura interna pode ultrapassar os 40 graus.
A alteração no regime de chuvas e o aumento do calor também favorecem a proliferação de mosquitos transmissores de dengue e chikungunya. A médica Mayara Floss, da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), afirma: “O mosquito consegue contaminar mais pessoas”.
Chuvas intensas podem ainda provocar alagamentos e contaminar a água, elevando o risco de leptospirose, hepatite A e diarreias. A fumaça das queimadas agrava problemas respiratórios, como asma e bronquite.
Cuidados
Entre as medidas recomendadas estão manter a hidratação, evitar exposição solar excessiva, preservar o conforto térmico dentro de casa e acompanhar os alertas da Defesa Civil. O médico Enrique Falceto de Barros, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), também alerta para a expansão de doenças associadas às mudanças climáticas.
Os impactos podem atingir a saúde mental. Ecoansiedade e solastalgia descrevem, respectivamente, a ansiedade diante de catástrofes e o estresse provocado por mudanças ambientais. Para o psicanalista Léo Karam Tietboehl, a falta de controle sobre esses fatores pode aumentar a ansiedade.








