O calor associado ao El Niño pode provocar 13.271 mortes adicionais no Brasil entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027, estima um relatório do Climate Impact Lab, ligado à Universidade de Chicago. No mundo, a projeção é de cerca de 451 mil mortes acima do esperado no período.
A fase mais intensa do fenômeno deve ocorrer a partir de setembro, com o aquecimento das águas do Oceano Pacífico previsto para continuar até a virada do ano. As áreas próximas à região equatorial tendem a ser as mais afetadas.
O Brasil pode ocupar a quinta posição entre os países com maior número absoluto de mortes associadas ao calor. A projeção fica atrás das estimativas para Nigéria, com 31,3 mil mortes; Indonésia, com 19,2 mil; Sudão, com 17,4 mil; e Índia, com 15,6 mil.
No território brasileiro, Norte e Nordeste aparecem como as regiões mais vulneráveis. O Pará é apontado no mapa dos pesquisadores como o estado mais ameaçado, com previsão de 2,3 mil mortes adicionais.
Riscos e medidas de prevenção
O calor pode causar desidratação, alterações cardiovasculares e golpe de calor, situação em que a temperatura interna do corpo passa de 40 graus e o organismo deixa de conseguir se resfriar sozinho pelo suor.
O relatório defende previsões meteorológicas mais precisas, reforço dos serviços de saúde e criação de locais com conforto térmico. Entre as medidas individuais estão manter a hidratação, usar roupas leves e reduzir a temperatura dentro de casa com ar condicionado ou ventilação cruzada.
O El Niño também pode aumentar queimadas e doenças respiratórias relacionadas à fumaça em algumas regiões. No Sul do Brasil, o risco inclui enchentes, afogamentos, deslizamentos e disseminação de doenças como a leptospirose.
O governo brasileiro informou ter lançado medidas para reduzir os impactos do fenômeno, como reforço de estoques públicos de alimentos, recursos extras para combates de emergência, investimentos no atendimento do SUS e sistemas de monitoramento climático.
Por que o fenômeno é chamado de “super”
O El Niño resulta do aquecimento das águas do Oceano Pacífico e altera ventos e a formação de nuvens de chuva. O fenômeno dura cerca de um ano e reaparece a cada dois a sete anos.
O episódio atual é considerado o mais intenso já registrado. Em 21 de setembro, a anomalia na faixa marítima conhecida como “Niño 3.4” superou 3,11 °C em relação aos registros históricos, e a temperatura deve continuar subindo até o fim do ano. A classificação “super” é informal e destaca a intensidade do evento.








