As chamadas canetas emagrecedoras não devem ser usadas durante a gravidez. Os medicamentos, que incluem semaglutida, liraglutida e tirzepatida, reduzem o apetite, aumentam a saciedade e retardam o esvaziamento do estômago. Com isso, podem prejudicar a nutrição necessária nesse período.
Esses produtos contêm substâncias semelhantes ao GLP-1 ou associadas ao GIP. Eles são indicados para obesidade, sobrepeso acompanhado de doenças e diabetes tipo 2. Ainda não há estudos suficientes em gestantes para confirmar a segurança dessas medicações para o desenvolvimento do feto.
Pesquisas com animais registraram menor crescimento fetal, perdas da gestação e alterações no desenvolvimento em algumas situações de exposição. Isso, porém, não permite concluir que toda mulher que engravidou enquanto fazia o tratamento terá complicações.
Renato Reis, endocrinologista e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), orienta que a paciente avise o endocrinologista e o obstetra, interrompa o medicamento conforme a recomendação dos profissionais e mantenha o pré-natal. A gestação não é uma fase destinada à perda de peso planejada.
Quando interromper
Para quem pretende engravidar, o tratamento deve ser suspenso antes da tentativa ou assim que a gravidez for identificada. O intervalo depende da substância. Para a semaglutida, Reis recomenda parar pelo menos dois meses antes da gestação planejada. No caso da liraglutida, de ação mais curta, Lívia Del Monaco, ginecologista e obstetra especializada em medicina fetal e gestação de alto risco, cita um período de cerca de 10 a 14 dias.
O planejamento deve incluir contracepção eficaz até a eliminação completa do medicamento. Mulheres que usam essas substâncias para controlar o diabetes também precisam manter a glicemia sob controle antes da concepção, com eventual troca por opção mais adequada.
Retomada após o parto
O tratamento não deve voltar automaticamente depois do nascimento. É preciso avaliar a amamentação, o remédio usado, a indicação, o peso, a glicemia, a alimentação e as condições metabólicas da mãe.
Os dados sobre essas medicações durante a amamentação são limitados e variam conforme a molécula. Por isso, a decisão deve ser individualizada, considerando os possíveis benefícios para a mãe e a segurança do bebê. Também devem ser levados em conta o cumprimento das metas de amamentação e a necessidade de cada mulher, como excesso de peso após o parto ou histórico de diabetes gestacional.
Quando houver indicação para reiniciar, pode ser necessário voltar a doses menores e avançar gradualmente. O acompanhamento médico é essencial, porque o pós-parto envolve mudanças hormonais, metabólicas e nutricionais.








