Um estudo apresentado no Congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD 2026) indica que pessoas em tratamento com canetas de medicamentos análogos de GLP-1 podem continuar perdendo peso após mudar para comprimidos de semaglutida. Os resultados, porém, não permitem dizer que a versão oral seja equivalente ou superior às injeções.
A pesquisa, chamada OCTANE, analisou dados anonimizados de 194 norte-americanos acompanhados pela plataforma de telessaúde Ro. Antes da troca, os participantes usavam canetas emagrecedoras. O peso médio inicial era de aproximadamente 100,5 kg, com IMC médio de 34,5. O grupo tinha por volta de 45 anos.
Após 3 meses usando o comprimido de Wegovy, a perda média foi de 4,1% do peso, o equivalente a aproximadamente 4 quilos. Ao todo, 40,7% dos participantes perderam pelo menos 5% do peso. A proporção de pessoas com IMC acima de 30 caiu de 87,1% para 65,5%.
Satisfação e limitações
A troca foi considerada satisfatória por 75% dos participantes, enquanto 86,7% relataram alta adesão ao uso diário. O estudo ressalta que a substituição pode ser uma alternativa para pessoas que preferem comprimidos, mas não mediu diretamente a diferença entre continuar com as canetas e passar para a versão oral.
Os resultados devem ser interpretados com cautela. O acompanhamento durou pouco tempo, o peso foi informado pelos próprios participantes e apenas parte da amostra respondeu às perguntas sobre satisfação. Além disso, a adesão diária considerou somente a semana anterior ao questionário, e não todo o período analisado.
As canetas de semaglutida e tirzepatida são medicamentos peptídicos, cuja administração oral é dificultada pela digestão das proteínas. O Wegovy oral usa a tecnologia SNAC, que protege a semaglutida da degradação e aumenta sua absorção.
O comprimido está disponível nos Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Alemanha. No Brasil, o pedido de aprovação foi apresentado à Anvisa em janeiro deste ano, e a expectativa é de liberação ainda em 2026.








