A perda de peso pode mudar a forma como o organismo regula a fome, a saciedade e o gasto de energia. O cérebro percebe a redução das reservas energéticas e pode reagir com mais sinais de fome, menor sensação de saciedade e diminuição do gasto energético.
A explicação é do médico Fábio Miranda Ribeiro, especialista em cirurgia geral, endoscopia digestiva e nutrologia. Ele afirma que o organismo tenta recuperar parte da energia perdida depois do emagrecimento. “Isso não acontece por falta de força de vontade, mas por mecanismos fisiológicos de defesa”, explica.
O que muda depois da perda de peso
Após a interrupção de medicamentos para emagrecer, o usuário pode voltar a sentir muita fome ou perceber mudanças na disposição para gastar energia. A pessoa também pode se sentir mais leve, porque o corpo passa a precisar de menos energia para realizar algumas atividades do que quando sustentava um peso maior.
Fábio Miranda Ribeiro afirma que a relação entre alimentação e gasto energético não explica sozinha o processo. Para ele, o corpo reage à perda de peso, ao déficit energético e às alterações na composição corporal.
O tema ganhou atenção com a chegada da Semavy às farmácias brasileiras na última terça-feira (1º). A caneta à base de semaglutida passou a integrar a lista de medicamentos voltados ao tratamento de diabetes tipo 2 ou obesidade, ao lado de Ozempic e Mounjaro.
Exercício como estratégia de manutenção
As atividades físicas continuam importantes mesmo depois do emagrecimento. Elas contribuem para a força, a disponibilidade, a redução dos riscos de doenças crônicas e a melhora da qualidade do sono.
O professor de Educação Física João Carlos Simões recomenda tratar o exercício como uma estratégia de manutenção. Segundo ele, a rotina deve reunir treinamento de força, atividade aeróbica, movimentos ao longo do dia e recuperação. O objetivo não é aumentar continuamente o volume de exercícios, mas estabelecer práticas que possam ser mantidas.








