Um estudo publicado no The British Medical Journal identificou 24 sequências de medicamentos que podem indicar cascatas de prescrição inadequadas entre idosos. O fenômeno ocorre quando um efeito colateral é interpretado como uma nova doença e leva à indicação de outro remédio.
A pesquisa canadense analisou dados de 2,3 milhões de idosos e comparou prescrições feitas em sequência. Os pesquisadores avaliaram a frequência das combinações, o intervalo entre os medicamentos e a força da relação entre eles.
Entre os exemplos mais frequentes estão o uso de suplemento de ferro seguido por laxante, observado em 11,9% dos idosos que começaram a reposição, e de estatina seguida por analgésico, combinação registrada em 10,9% dos participantes que iniciaram estatinas. Também apareceu o uso de inibidor da colinesterase seguido por indutor de sono, em 10,3% dos voluntários que usavam esses medicamentos.
O ferro pode causar prisão de ventre, enquanto as estatinas podem estar associadas a dores musculares. Já os inibidores da colinesterase, usados no tratamento de sintomas de Alzheimer, podem alterar o sono em algumas pessoas.
Leonardo Oliva, geriatra e presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, afirma que sintomas novos devem levar primeiro a uma revisão dos medicamentos, suplementos e chás usados pelo paciente. A análise pode indicar a necessidade de ajustar, trocar ou retirar uma medicação, em vez de acrescentar outra.
Combinações que exigem avaliação
O estudo também apontou que medicamentos cardiovasculares foram os que mais iniciaram possíveis cascatas, aparecendo entre 19% e quase 66% dos casos, conforme a classe analisada.
Entre as relações consideradas mais evidentes estão corticoide seguido de antipsicótico, laxante seguido de antidiarreico e inibidor da acetilcolinesterase seguido de medicamento contra náuseas.
Fábio Leonel, geriatra e presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia de São Paulo, explicou que a cascata ocorre quando o segundo remédio é usado para tratar uma reação adversa do primeiro sem que essa origem seja reconhecida.
As combinações não são necessariamente perigosas nem devem ser vistas como proibidas. Algumas associações são adequadas e necessárias. A recomendação é consultar o médico ou farmacêutico diante de um sintoma novo, antes de incluir outro medicamento no tratamento.
Para Leonel, essa avaliação pode evitar a progressão da polifarmácia e permitir uma prescrição mais simples e segura em algumas situações.








