RIO DE JANEIRO — A Rede D’Or chegou a 76 hospitais no portfólio e encerrou dezembro de 2025 com 10.351 leitos operacionais. O grupo combina expansão por aquisições e novas unidades, investimento em tecnologia e integração com a SulAmérica, comprada em fevereiro de 2022 por 13 bilhões de reais.
No Copa Star, no Rio de Janeiro, cirurgias podem ser realizadas com o auxílio de um robô controlado por um médico. A unidade foi uma das primeiras do Brasil a receber esse tipo de equipamento, cujo preço pode chegar a 6 milhões de dólares. Nos últimos cinco anos, a companhia destinou 600 milhões de reais à compra de 42 equipamentos. Atualmente, a Rede D’Or afirma ter o maior parque de robótica entre os hospitais da América Latina.
Em 2025, a empresa atendeu 3 milhões de pacientes-dia, alta de 55% em relação a 2020. No mesmo período, foram realizadas 570.000 cirurgias, crescimento de 14% em 12 meses. A receita líquida alcançou 55,7 bilhões de reais, enquanto a receita bruta ficou em 60,4 bilhões de reais. O Ebitda consolidado foi de 10,4 bilhões de reais, avanço de 23% em 12 meses, e o lucro líquido chegou a 4,8 bilhões de reais.
A dívida líquida correspondia a 1,71 vez o Ebitda no segundo trimestre de 2026. Para Samuel Barros, reitor do Ibmec RJ e professor de finanças, a empresa mantém um crescimento estável e planejado.
Expansão pelo país
Fundado por Jorge Moll Filho em 1977, o Grupo Labs começou com serviços de medicina diagnóstica por imagem. Na virada dos anos 2000, foram abertos os três primeiros hospitais da Rede D’Or: Barra, Copa e Quinta, no Rio. Em 2007, a empresa chegou ao Recife com a compra de dois hospitais. A partir de 2010, avançou sobre a Grande São Paulo com sete aquisições, incluindo três unidades da rede São Luiz.
A partir de 2016, a companhia passou a investir na bandeira Star. Em 2019, tinha 45 hospitais em seis estados e no Distrito Federal, sendo dois com essa marca. A operação centralizou compras, recursos humanos e contabilidade em centros de serviços compartilhados no Rio e em São Paulo. Segundo a empresa, as despesas administrativas ficam em torno de 3% da receita bruta, enquanto entre concorrentes podem chegar a 15% do faturamento.
Em dezembro de 2020, a companhia captou 11,4 bilhões de reais na B3. Com os recursos, comprou hospitais em mercados como Belo Horizonte e, a partir de 2022, passou a priorizar a construção de unidades próprias em regiões como Campinas, Alphaville e Guarulhos, em São Paulo.
Para esse movimento, criou a Atlântica D’Or com a Bradesco Seguros. Cada empresa detém cerca de 50% do capital da joint venture. Dos 76 hospitais do portfólio, sete são administrados pela Atlântica, e outros quatro devem entrar em operação. A parceria contribuiu para um aumento de 40% na capacidade hospitalar em cinco anos.
Até 2028, a capacidade deve crescer mais 25% com hospitais em Taubaté, Ribeirão Preto e Sorocaba, no interior paulista, e em São Conrado, no Rio de Janeiro.
SulAmérica e formação médica
A compra da SulAmérica ampliou a base de beneficiários do grupo em 6 milhões. As operações continuam separadas: Paulo Moll é o CEO da Rede D’Or desde março de 2020, e Raquel Reis lidera a SulAmérica. No segundo trimestre de 2026, a sinistralidade da seguradora ficou em 78,1%. O Ebitda da empresa chegou a 3,79 bilhões de reais em 2025.
Aos 80 anos, Jorge Moll Filho preside o conselho de administração. Desde 2007, o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino mantém programas de formação nos hospitais do grupo. Mais de 300 residentes recebem, por ano, bolsa de 6.000 reais, além da participação de centenas de estagiários.
O Ministério da Educação aprovou, no início de 2026, o projeto de uma faculdade de medicina com a nota máxima de qualidade. A previsão é que a primeira turma inicie as aulas no começo de 2027, em um prédio no centro do Rio de Janeiro.
“A minha história de vida foi muito isto: criar uma coisa nova e fazer com que ela não seja algo pontual num lugar só, mas seja oferecida para muita gente, em muitos lugares”, disse Moll.









