Durante a premiação Melhores e Maiores 2026, Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual, afirmou que o Brasil melhorou em relação a uma década atrás, mas precisa controlar o crescimento dos gastos públicos para criar condições de redução dos juros. O evento foi realizado nesta quinta-feira, 24.
André Esteves, chairman e senior partner do banco, avaliou que o principal desafio do país está na construção de instituições mais sólidas, e não apenas no desempenho econômico. Para ele, a economia vem se tornando mais estável, enquanto o fortalecimento institucional exige trabalho contínuo.
Mansueto citou a recuperação de setores como petróleo, energia e mercado imobiliário. Segundo ele, o país deve encerrar o ano com saldo da balança comercial entre US$ 75 bilhões e US$ 80 bilhões, sendo US$ 45 bilhões provenientes do petróleo. Também mencionou o retorno dos investimentos em geração, transmissão e distribuição de energia.
Reformas e concessões
O economista destacou mudanças regulatórias para atrair investimentos privados. Entre elas, citou o marco do saneamento aprovado em junho de 2020, as concessões de infraestrutura e a independência do Banco Central, aprovada em fevereiro de 2021.
Mansueto afirmou que o país está encerrando um governo com 30 concessões de rodovias federais. Antes, a média por mandato de quatro anos ficava entre 8 e 10 concessões. Ele também mencionou concessões de portos e rodovias estaduais.
Apesar desses avanços, o economista apontou o aumento das despesas públicas como um obstáculo para a queda dos juros. De 2023 a 2026, o PIB deve crescer pelo menos 11%, enquanto o gasto público federal avançaria 22%, conforme a avaliação apresentada por ele.
Para Mansueto, o ajuste não precisa necessariamente eliminar programas, mas reduzir o ritmo de expansão das despesas. Ele citou o Bolsa Família: entre 2003 e 2019, o programa alcançou 14 milhões de famílias e tinha custo anual de até R$ 40 bilhões. Hoje, atende 20 milhões de famílias, com custo anual de R$ 160 bilhões.
O economista também relacionou a política de valorização do salário-mínimo ao aumento de despesas, por afetar aposentadorias e programas sociais. Na avaliação dele, mudanças podem ser negociadas com o Congresso Nacional.
“Dá para ter esperança no Brasil, mas precisamos tirar o fiscal da frente”, declarou Mansueto.
Na abertura da premiação, Lucas Amorim, diretor de redação da EXAME, informou que as 1000 maiores empresas do Brasil faturaram R$ 10 trilhões em 2025, alta de 10% sobre 2024. Segundo ele, os 22 setores cresceram, e o lucro avançou 16%, para R$ 670 bilhões.








