O reajuste do Bolsa Família elevou o piso do benefício de R$ 600 para R$ 691 e o valor médio de R$ 675 para R$ 777. Anunciada em cerimônia no Palácio do Planalto, a medida pode gerar um impacto fiscal estimado entre R$ 22 bilhões e R$ 23 bilhões por ano, segundo o pesquisador Victor Hugo Miro, do FGV-Ibre.
Miro afirmou que o aumento das transferências tende a reduzir a pobreza e a desigualdade, mas avaliou que o custo não estava previsto no orçamento. Para ele, a nova despesa amplia as incertezas sobre a sustentabilidade das contas públicas e pode exigir cortes em outras áreas ou aumento da arrecadação.
O pesquisador defendeu que mudanças desse tipo sejam feitas por lei, com regras claras para reajustes anuais, como correções vinculadas à inflação. Ele também apontou que o orçamento de 2027 não previa o aumento, o que dificultaria a aceitação da medida pelo mercado.
Efeito sobre juros e eleições
O momento do anúncio, realizado a menos de um mês das eleições, também foi questionado por Miro. Ele afirmou que a escolha remete à ampliação de um programa de transferência de renda ocorrida em 2022. Embora tenha evitado avaliar as intenções do governo, disse que o timing gera suspeitas e que a reação poderia ser diferente com maior previsibilidade e respaldo legal.
Na avaliação do pesquisador, o gasto adicional pode atrapalhar a trajetória de redução dos juros no Brasil. A questão fiscal, segundo ele, já é o principal fator que limita cortes mais rápidos na taxa, e o reajuste pode interromper ou desacelerar esse movimento. Juros elevados afetam a atividade econômica, os investimentos e o crescimento do país.
Miro considerou que o impacto direto sobre a inflação talvez não seja significativo, mas defendeu um acompanhamento mais efetivo do uso dos recursos. Ele citou o endividamento de famílias beneficiárias e afirmou que o governo deveria criar contrapartidas e mecanismos de avaliação para verificar se as transferências se convertem em bem-estar.
“Esse custo fiscal não era previsto e pode comprometer as contas para o próximo ano”, disse Victor Hugo Miro.








