SÃO PAULO — O próximo governo deve conduzir o Brasil a juros estruturalmente menores, independentemente do resultado da eleição marcada para outubro, afirmou André Esteves, controlador do BTG Pactual. Durante um evento do grupo Esfera Brasil com grandes empresários, nesta segunda-feira, 14, ele defendeu a criação de uma agenda de ajuste das contas públicas.
Esteves estima que a taxa básica de juros, a Selic, poderia cair de 14% ao ano para algo próximo de 7% ao ano no próximo mandato presidencial, caso o ajuste fiscal seja realizado. Para ele, a redução dos juros teria impacto maior sobre a economia do que a ampliação dos investimentos públicos, que hoje giram em torno de 1% do PIB.
“O setor privado (sozinho) poderia investir mais de 20% do PIB (se tivéssemos juros menores)”, disse o controlador do BTG Pactual. Ele também afirmou que o país não está condenado a conviver com taxas elevadas e comparou a possibilidade de redução estrutural dos juros ao fim da hiperinflação com o Plano Real.
Ajuste fiscal
Segundo Esteves, o ajuste necessário para reduzir os juros pela metade não precisa ser muito grande e poderia ser implementado independentemente de quem assumir a Presidência. Ele criticou medidas que engessam o orçamento público, como os pisos da Saúde e da Educação, e disse que a reorganização das contas não é uma agenda de direita ou de esquerda.
O banqueiro defendeu que o governo eleito em outubro apresente uma PEC voltada ao ajuste fiscal já em novembro. Para sustentar que a medida também seria viável politicamente, citou a reforma política de 2017, durante o governo Michel Temer, e a reforma da Previdência de 2019, no governo Jair Bolsonaro.
Questionado sobre o que recomendaria a Lula e Flávio Bolsonaro a respeito das contas públicas, Esteves respondeu: “Eu já falei para ambos”.








