São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Dólar R$ 5,18 · Euro R$ 5,88 · Ibovespa 186.340 +0,00% São Paulo 23°C 18° / 28°
A notícia como ela é
Estudo associa excesso de televisão a alterações na estrutura cerebral
Foto: Magnific/Magnific
Saúde

Estudo associa excesso de televisão a alterações na estrutura cerebral

Pesquisa acompanhou mais de 1,7 mil pessoas por cerca de 24 anos, mas não prova que assistir TV cause danos ao cérebro.

Uma pesquisa norte-americana associou o hábito de assistir muita televisão a alterações na estrutura cerebral. Os participantes que relataram ver TV com muita frequência apresentaram menor volume em áreas ligadas ao controle cognitivo e à linguagem, além de mudanças na substância branca do cérebro.

O estudo foi publicado na revista Alzheimer’s & Dementia e reuniu dados de uma pesquisa financiada pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos. Mais de 1,7 mil pessoas entraram no levantamento entre 1987 e 1989 e foram acompanhadas por cerca de 24 anos.

Como a pesquisa foi feita

No início do estudo, em 1987, os voluntários responderam a perguntas sobre a rotina. Entre os temas estavam a frequência com que assistiam à televisão e o tempo que passavam sentados no trabalho. Naquele momento, eles não tinham demência e tinham, em média, 53 anos.

Entre 2011 e 2013, os participantes fizeram exames de ressonância magnética. As imagens permitiram medir o volume de diferentes regiões cerebrais e identificar alterações na substância branca, formada por fibras que conectam áreas do cérebro.

As pessoas que disseram assistir TV com muita frequência apresentaram menor volume em diversas regiões. Algumas dessas áreas participam do controle cognitivo e da linguagem e são consideradas vulneráveis nos estágios iniciais da doença de Alzheimer. Também foram observadas mais alterações na substância branca, que podem indicar danos em pequenos vasos sanguíneos do cérebro.

Associação não prova causa

Os pesquisadores ressaltam que o trabalho é observacional. Por isso, os resultados não comprovam que assistir televisão provoque redução do volume cerebral ou cause Alzheimer. O estudo identificou uma associação, mas não avaliou se um fator provocou o outro.

A equipe considerou idade, escolaridade, atividade física, tabagismo, consumo de álcool, diabetes, hipertensão e índice de massa corporal. Ainda assim, não foi possível descartar a influência de características que não foram medidas na pesquisa.

Os resultados se somam a evidências de que longos períodos em comportamentos sedentários e pouco ativos podem não ser favoráveis à saúde cerebral. A pesquisa também indicou que nem todo tempo sentado está relacionado às mesmas alterações.

Diferenças entre atividades e sexos

Ficar sentado no trabalho não apresentou a mesma associação observada entre os participantes que passavam mais tempo assistindo televisão. Para os pesquisadores, a TV é uma atividade passiva para o cérebro, enquanto o trabalho sentado pode envolver leitura, resolução de problemas, planejamento e tomada de decisões.

Entre as pessoas com esse tipo de rotina de trabalho, algumas regiões cerebrais frontal, parietal e occipital apresentaram maior volume. Uma área no lado direito da parte frontal do cérebro, relacionada ao raciocínio abstrato, ao planejamento e à lembrança de compromissos futuros, também se destacou.

Nas análises separadas por sexo, a relação entre assistir muita TV e alterações cerebrais foi mais ampla entre os homens. Neles, a associação envolveu regiões frontais, temporais, occipitais, parietais, estruturas subcorticais e áreas relacionadas à doença de Alzheimer. Entre as mulheres, quase não apareceram associações desse tipo.

Os autores defendem a redução do tempo sedentário, especialmente em atividades que exigem pouco esforço cognitivo. Eles também afirmam que estratégias de prevenção devem considerar o tipo de atividade realizada sentado, as diferenças entre homens e mulheres e os fatores que podem aumentar a vulnerabilidade ao envelhecimento cerebral.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.

Em alta

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5