Atividades como conversar, cozinhar, ouvir música e organizar fotografias podem estimular diferentes funções do cérebro em pessoas com Alzheimer. A estimulação cognitiva também pode ser adotada antes do diagnóstico, como parte de uma rotina voltada à saúde cerebral.
No Brasil, cerca de 2,7 milhões de pessoas com 60 anos ou mais vivem com demência. A projeção é que o número chegue a 5,6 milhões até 2050. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que até 45% dos casos estejam associados a fatores modificáveis, entre eles sedentarismo, tabagismo, hipertensão, diabetes, obesidade, consumo de álcool e isolamento social.
Atividades adaptadas
A estimulação cognitiva reúne exercícios planejados para manter ativas funções como atenção, linguagem, raciocínio, orientação e funções executivas. A memória costuma ser uma das capacidades mais afetadas pelo Alzheimer, mas não é o único foco do trabalho.
“Quanto antes nos anteciparmos, mais margem temos para trabalhar”, afirma a neuropsicóloga Martha Valeria Medina, da startup espanhola de neurorreabilitação NeuronUP. Segundo ela, a abordagem tende a ser mais efetiva nas fases iniciais do Alzheimer, quando há mais capacidades preservadas.
As tarefas precisam ser ajustadas à pessoa e ao estágio da doença. Em fases avançadas, o foco passa a incluir comunicação, conexão com o ambiente e bem-estar. A proposta é preservar o funcionamento pelo maior tempo possível, sem interromper a progressão do Alzheimer ou recuperar capacidades já comprometidas.
Estímulo na rotina
As atividades diárias podem envolver várias habilidades ao mesmo tempo. Cozinhar exige planejamento e sequenciamento; uma conversa mobiliza linguagem e memória; e observar fotografias pode favorecer lembranças e comunicação. A interação social também integra esse estímulo e contribui para o bem-estar.
A orientação é combinar atividades planejadas com uma rotina ativa e a manutenção de vínculos sociais. A neuropsicóloga afirma que hábitos saudáveis não eliminam a possibilidade de desenvolver Alzheimer, mas podem reduzir a probabilidade de declínio cognitivo ao atuar sobre fatores controláveis.
O cuidado com a saúde cerebral deve começar antes dos sintomas e continuar ao longo da vida. Manter atividade física, estímulo mental e relações sociais faz parte desse processo. O objetivo, conforme Martha, é trabalhar com as capacidades que permanecem e ajudar a pessoa a conservar o maior nível possível de autonomia e participação no dia a dia.








