O Brasil será novamente o primeiro país a discursar no Debate Geral da Assembleia Geral das Nações Unidas, na terça-feira, 22. Luiz Inácio Lula da Silva fará a abertura da edição de 2026, após viajar no domingo a Nova York para participar do encontro.
A posição brasileira não está prevista em uma regra escrita. A tradição começou em 1949, durante a Guerra Fria, com o objetivo de evitar que Estados Unidos ou União Soviética tivessem a primazia na abertura dos trabalhos.
Antes de concluir a lista de oradores, o secretário-geral da ONU consulta a missão brasileira sobre a manutenção do costume. A resposta tem sido sempre positiva. A partir de 1955, o Brasil passou a abrir regularmente o Debate Geral, seguido pelos Estados Unidos, país-sede da organização.
Depois dos dois primeiros discursos, a ordem leva em conta fatores como o nível da autoridade presente, o equilíbrio geográfico e a ordem de inscrição. As mudanças são raras e geralmente ocorrem por atrasos ou alterações de agenda. Os Estados Unidos falaram antes do Brasil em 1983 e 1984. Em 2016, o Chade ficou em segundo lugar porque o presidente americano não chegou a tempo.
Peso diplomático
A abertura se tornou uma oportunidade para o Brasil apresentar análises amplas sobre o cenário internacional e defender temas estruturais. Entre as pautas mencionadas estão o combate à fome, o desenvolvimento e a reforma das instituições multilaterais.
A obra O Brasil nas Nações Unidas, 1946-2011, editada pela Fundação Alexandre de Gusmão, registra que a diplomacia brasileira passou a atribuir peso estratégico ao discurso inaugural. A posição permite ao país expor prioridades de política externa e marcar posição diante de chefes de Estado, diplomatas e da imprensa internacional.
Durante a viagem, Lula também pretende conversar com Donald Trump. O presidente brasileiro disse que pedirá ao americano que não interfira nas eleições brasileiras e afirmou que o Brasil pertence apenas ao seu povo.








