A escolha da madeira e o uso de especiarias mudam as características da cachaça e influenciam as combinações possíveis à mesa. A bebida pode apresentar notas adocicadas, florais, herbais, amadeiradas ou de frutas secas, conforme o processo de produção e armazenamento.
Delfino Golfeto, cachacier e fundador da Água Doce Sabores do Brasil, afirma que existem várias formas de imprimir sabores diferentes ao destilado. Além do carvalho, podem ser usadas madeiras como ipê, peroba e jatobá.
Uma das opções, associada a uma oleaginosa, reduz a acidez e suaviza a bebida sem modificar o sabor original da cana-de-açúcar. O perfil combina com frango assado, carne suína, castanhas, queijos semiduros e sobremesas de chocolate ou caramelo.
Outra madeira deixa a cachaça com tom amarelo-palha claro, notas suavemente adocicadas e menor acidez. A bebida acompanha carnes assadas, queijos semiduros e sobremesas com caramelo, mel ou frutas secas.
Da degustação às receitas brasileiras
Uma produção pouco conhecida resulta em coloração amarelada e toque sutilmente amargo e seco. Essa versão costuma ser servida com petiscos, carnes brancas, queijos e pratos de intensidade média.
Há também uma madeira com características semelhantes às do cravo-da-índia e da canela, além de fundo levemente adstringente e medicinal. Ela pode acompanhar pratos com ervas, feijão, molhos e receitas tradicionais brasileiras.
Outro perfil reúne notas adocicadas, especiarias, baunilha e canela. A combinação indicada inclui carne suína, costela com molho agridoce, queijos curados e sobremesas com doce de leite ou caramelo.
A versão de características herbais e amadeiradas, com toque levemente picante, é associada a carnes vermelhas, embutidos, queijos maturados e pratos com temperos intensos.
O jatobá acrescenta frutas secas e aroma amadeirado. A cachaça armazenada nessa madeira combina com carnes assadas, costelas, queijos de sabor intenso e chocolate amargo.
O jequitibá preserva as características originais da bebida. Já o jequitibá-rosa dá cor dourada e sabor macio semelhante ao carvalho. Os dois perfis podem acompanhar peixes, aves, saladas, frutos do mar e queijos suaves.
Semelhante ao jequitibá-branco, o freijó reduz a agressividade do álcool e preserva a pureza da cana-de-açúcar. Por isso, é indicado para entradas, peixes, frutos do mar, queijos frescos e pratos leves.
Por fim, as versões armazenadas em madeira amarela ou roxa apresentam coloração dourada ou alaranjada e notas de nozes e castanhas. As combinações incluem carnes grelhadas, linguiças, preparos defumados e queijos curados.









