As buscas por bebidas energéticas atingiram o maior nível em 2026, segundo dados do Google Trends. A procura mundial pela categoria cresceu 35% no ano e mais que dobrou na comparação com 2021, com alta de 110%.
O Brasil aparece como o 3º país que mais pesquisa o tema, atrás de Finlândia e Estados Unidos. No país, o energético já é mais buscado do que suco de laranja, água de coco e capuccino.
A expansão também aparece nos dados da Baly. A empresa brasileira faturou R$ 1,8 bilhão em 2025 e projeta chegar a R$ 2,5 bilhões em 2026. A produção passou de 550 milhões no ano passado e deve alcançar 1 bilhão de litros a partir deste ano.
O que explica o efeito
A principal função do energético é fornecer cafeína. A substância tem efeito estimulante, reduz a percepção de esforço, prolonga o estado de vigília e pode aumentar o foco. Isso ocorre porque a cafeína ocupa o lugar da adenosina, substância relacionada à instalação do sono no cérebro.
A tolerância varia de pessoa para pessoa. A Anvisa recomenda o consumo diário máximo de 400 mg de cafeína. Acima desse limite, podem ocorrer dor de cabeça, tremores, insônia e taquicardia.
Essas bebidas também costumam conter taurina, vitaminas do complexo B, açúcar ou adoçantes e vários aditivos. Por isso, são consideradas ultraprocessadas.
Álcool, crianças e gestantes
Em geral, energéticos não têm álcool. A combinação entre as duas bebidas, porém, é considerada perigosa. A cafeína não neutraliza o álcool nem elimina seus efeitos sobre julgamento, coordenação e capacidade de dirigir. A regulamentação brasileira exige que os rótulos indiquem que o consumo com bebida alcoólica não é recomendado.
A Sociedade Brasileira de Pediatria afirma que a cafeína não oferece benefício à saúde de crianças e pode afetar sono, comportamento e sistema cardiovascular. Também há risco de consumo excessivo e intoxicação. Nas versões com açúcar, soma-se a preocupação com os açúcares livres. A OMS relaciona o consumo frequente de bebidas açucaradas a cárie dentária, ganho excessivo de peso e doenças crônicas.
Durante a gravidez, o consumo não é automaticamente proibido, mas exige cautela. Os rótulos devem orientar crianças, gestantes, nutrizes, idosos e pessoas com enfermidades a consultar um profissional médico antes de consumir a bebida. A nutricionista Manuela Dolinsky, presidente do Conselho Federal de Nutrição (CFN), recomenda que gestantes não usem energético habitualmente para combater cansaço ou sonolência.
Quando o consumo preocupa
Para pessoas saudáveis que toleram bem a cafeína, o consumo ocasional pode ser tranquilo. O excesso, especialmente acima de 400 mg, pode causar danos à saúde. A recomendação é evitar a bebida perto do horário de dormir, não combinar vários produtos cafeinados em sequência e não transformá-la em solução habitual para privação de sono ou cansaço persistente.
Quando a pessoa precisa do energético com frequência para lidar com a rotina, a orientação é investigar o motivo. Um nutricionista pode avaliar a frequência e as opções de consumo levando em conta alimentação, sono, atividade física, outras fontes de cafeína e objetivos individuais.








