ITAPOÃ (DF) — Willian Lopes foi condenado a 38 anos e 8 meses de prisão pelo feminicídio de Camila Pereira Lopes, de 28 anos. A sentença foi anunciada nesta quinta-feira (17/9), e o cumprimento da pena deverá começar em regime fechado.
Camila foi atacada em frente à própria casa, enquanto conversava com uma amiga. Ela levou três golpes de arma branca no tórax. Depois do crime, Lopes fugiu e se escondeu em uma igreja na Quadra 49 do Del Lago, onde foi localizado e preso pela polícia.
Decisão do júri
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios informou que os jurados reconheceram que o acusado dificultou a defesa da vítima ao surpreendê-la durante a conversa com a amiga. Também entenderam que o crime ocorreu por razões da condição de sexo feminino, em contexto de violência doméstica.
O MPDFT afirmou ainda que foi afastada a hipótese de legítima defesa por falta de prova considerada suficiente. Com as novas regras do crime de feminicídio no Código Penal, o promotor Daniel Bernoulli disse que Lopes deverá cumprir pelo menos 75% da pena para obter algum tipo de progressão.
Esse foi o primeiro júri de feminicídio consumado realizado no Tribunal do Júri do Paranoá/Itapoã sob a nova previsão legal, segundo o promotor responsável pelo caso. “Foi o julgamento de um crime grave e de repercussão”, afirmou Bernoulli.
Relatos sobre o relacionamento
A amiga que estava com Camila relatou ao Ministério Público que o casal mantinha um relacionamento conturbado, com brigas e discussões. Ela disse já ter presenciado agressões de Lopes contra a vítima, que nunca registrou boletim de ocorrência.
A irmã de Camila também afirmou ter visto o réu agredi-la fisicamente. Segundo ela, a vítima retirava facas da casa onde vivia com Lopes e as levava para a casa da mãe por medo dele.
No dia do crime, a irmã contou que cruzou com o acusado, que disse: “Desculpa aí, mas acabei de terminar o serviço”. Ao ouvir a frase, ela correu até o local e encontrou Camila caída no chão.
Lopes tinha passagens por roubo, extorsão e posse ilegal de arma de fogo. O relato apresentado no processo aponta que Camila teria ateado fogo às roupas do companheiro durante uma crise de ciúmes. Ele afirmou que havia passado a noite trabalhando como lanterneiro e lixando carros e, ao voltar, encontrou as roupas queimadas.








