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Estudo aponta cuidado menos adequado para diabetes entre negros de baixa renda
Brasil

Estudo aponta cuidado menos adequado para diabetes entre negros de baixa renda

Pesquisa com dados de 2019 relaciona raça, renda e acesso desigual ao acompanhamento da doença no Brasil.

Pessoas negras de baixa renda apresentam as maiores frequências de cuidado inadequado para diabetes no Brasil, segundo estudo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), publicado em agosto deste ano na revista PLOS One.

A pesquisa analisou dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, com 6.967 pessoas de 18 anos ou mais que informaram ter recebido diagnóstico médico de diabetes. Foram consideradas 15 perguntas sobre orientações de alimentação, controle do peso, atividade física e tabagismo, além de exames, encaminhamento para especialistas e avaliações dos olhos e dos pés.

Cada resposta positiva valia um ponto. Os pesquisadores classificaram como baixa adequação do cuidado os casos com até 12 pontos. Ao todo, 72% dos participantes ficaram nessa faixa. Entre homens negros de baixa renda, o índice foi de 79,6%; entre mulheres negras de baixa renda, de 79,1%.

Isabelle Ribeiro Barbosa, professora da pós-graduação em Saúde Coletiva da UFRN e uma das autoras, afirmou que o resultado é um alerta para o Sistema Único de Saúde (SUS), já que a maior parte dos participantes depende totalmente do sistema público.

Desigualdades no acompanhamento

Segundo Barbosa, pessoas de baixa renda podem ter menos acesso a informações, medicamentos, recursos e atendimento para controlar o diabetes. No caso da população negra, a pesquisadora relaciona o resultado a desigualdades raciais e socioeconômicas. Pessoas com maior renda teriam mais possibilidades de recorrer ao setor privado quando encontram dificuldades no sistema público.

Para ela, a combinação dessas condições pode ampliar as barreiras ao cuidado. A falta de acompanhamento e de medidas preventivas pode favorecer complicações, como problemas nos pés, perda de visão e doenças cardiovasculares, com possíveis limitações para o trabalho e perda de renda.

Outro estudo, publicado neste ano na revista Scientific Reports, apontou mudança na composição das hospitalizações por diabetes no Brasil entre 2010 e 2024, com aumento proporcional da participação de pessoas negras entre os pacientes hospitalizados. A análise considerou internações de pessoas com 40 anos ou mais e dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS.

Gabriela Wünsch Lopes, médica epidemiologista e pesquisadora em saúde pública, afirmou que a análise conjunta de raça, renda e sexo mostra como esses fatores se sobrepõem e podem reduzir o acesso à promoção e ao cuidado em saúde.

Políticas e limites da pesquisa

Barbosa defende que as políticas de saúde mantenham o caráter universal do SUS, mas deem atenção maior aos grupos que enfrentam mais barreiras, especialmente pessoas negras e de baixa renda. Ela também afirma que as estratégias contra doenças crônicas não transmissíveis devem considerar de forma específica os grupos mais vulneráveis.

O estudo tem limitações. Como usa dados da PNS, as respostas dependem da lembrança e da interpretação dos entrevistados. Lopes afirma que o questionário registra o cuidado relatado, e não necessariamente o atendimento prestado. Indígenas e pessoas classificadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como amarelas ficaram fora da análise por causa do pequeno número de participantes.

Também não há um ponto de corte nacional ou internacional validado para definir quantas respostas positivas, entre as 15 perguntas, caracterizam cuidado adequado. Por isso, os pesquisadores estabeleceram o limite de 12 pontos.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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