SÃO PAULO — A Justiça de São Paulo decidiu levar Pedro Camilo Garcia Castro a júri popular por tentativa de feminicídio contra a médica Samira Khouri. Preso desde julho de 2025, ele é acusado de espancar a então namorada em um apartamento na capital paulista.
A decisão, publicada na última terça-feira (8/9), aponta que o fisiculturista teria agido com intenção de matar, por motivo fútil, com meio cruel e usando recurso que dificultou a defesa da vítima. A juíza Luiza Torggler Silva também registrou que Samira foi agredida mesmo desacordada, com golpes concentrados na cabeça e no pescoço. Segundo o documento, Pedro fugiu sem prestar socorro.
Laudos e prontuários foram citados pelo Tribunal de Justiça como provas da materialidade do crime e indícios de autoria atribuída a Pedro Camilo. A prisão preventiva foi mantida, sob a justificativa de gravidade dos fatos e insuficiência de medidas cautelares alternativas.
Relembre o caso
Samira foi agredida em 14 de julho de 2025, quando completou 27 anos. Ela e Pedro estavam em um apartamento alugado em São Paulo desde o dia 12 para comemorar o aniversário da médica. A agressão teria ocorrido por ciúmes de um amigo gay.
Vizinhos ouviram os gritos e chamaram a polícia. A médica foi encontrada gravemente ferida, com múltiplas fraturas no rosto. Ela permaneceu 12 dias em estado grave na UTI de um hospital na Baixada Santista.
Pedro fraturou a mão durante a agressão e fugiu com o carro da vítima para Santos, onde foi preso em flagrante. Câmeras de segurança registraram a entrada e a saída dele do apartamento, um Airbnb na Avenida Pavão, em Moema, na zona sul da capital.
A Justiça rejeitou novamente o pedido de insanidade mental apresentado pela defesa. Em maio deste ano, também havia sido afastada a tese de que o uso de anabolizantes, medicamentos controlados e um quadro de bulimia poderiam ter comprometido a capacidade psíquica do réu.
A defesa de Samira afirmou que a decisão incentiva mulheres a acreditar na Justiça. A advogada Gabriela Manssur disse: “Nenhuma mulher deveria precisar sobreviver para provar que poderia ter morrido.” A defesa de Pedro, representada pelo advogado Eugênio Malavasi, avalia recorrer da decisão.








