SÃO PAULO — A Polícia Civil de São Paulo apontou notas fiscais emitidas pelo próprio Instituto Conhecer Brasil (ICB), documentos cancelados e faturas sem comprovação de pagamento ao pedir à Justiça mandados de busca e apreensão contra empresas ligadas à produtora Karina da Gama, responsável pelo filme Dark Horse.
A investigação envolve um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o ICB para a instalação de pontos de Wi-Fi nos bairros da cidade. O material foi tornado público neste domingo (13/9), após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo do caso.
A polícia suspeita que parte dos recursos tenha sido desviada para custear uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O delegado Antônio Carlos Munuera Silveira, da Divisão de Investigações Sobre Crimes Contra a Administração (DICCA), afirmou à Justiça que havia ao menos três notas fiscais emitidas pelo ICB contra o próprio instituto. Os documentos somavam mais de R$ 1.400.000,00.
As notas foram questionadas em um parecer técnico da Prefeitura de São Paulo, mas o contrato com o instituto continuou ativo.
Outros documentos sob investigação
O ICB também apresentou à gestão Nunes quatro faturas da Make One Tecnologia Digital, no total de R$ 8,5 milhões, sem notas fiscais que comprovassem o pagamento. Para a polícia, a numeração sequencial dos boletos e a emissão na mesma data indicariam “uma montagem documental artificial para encobrir saídas ilegíveis de caixa”.
A investigação ainda cita notas fiscais canceladas das empresas JR Feijão Ltda e Complexys Soluções Integradas Ltda. Também é analisada a subcontratação da Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda, atualmente chamada Urban Connect Serviços e Tecnologia Ltda.
A Justiça autorizou as buscas no primeiro semestre deste ano. No primeiro dia de junho, policiais foram a endereços ligados a Karina da Gama e às empresas subcontratadas. Em um imóvel da Complexys, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, a empresa funcionava em uma pequena sala dividida com uma clínica de fisioterapia e acupuntura.
No mesmo dia, os policiais tiveram acesso ao celular de Karina da Gama. Ela não informou a senha do aparelho.








