A 27 dias do primeiro turno das eleições de 2026, os principais candidatos à Presidência usaram o feriado de 7 de Setembro para apresentar posições sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), as investigações envolvendo o extinto Banco Master e o governo Luiz Inácio Lula da Silva. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.
Lula participou do desfile cívico-militar na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, ao lado do presidente do STF, Edson Fachin; dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta; além de 30 ministros. O Palácio do Planalto estimou público de 70 mil pessoas no local. Os demais ministros do Supremo não compareceram ao evento.
A ausência ocorreu durante a crise na Corte relacionada a um relatório da Polícia Federal encaminhado ao plenário do STF pelo ministro André Mendonça. O documento expõe a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, controlador do extinto Banco Master.
Mensagens mostram que Vorcaro pediu a Moraes ajuda para tentar interferir com o delegado-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e “reverter” investigações. Não há registro da resposta de Moraes. Vorcaro está preso, e as apurações continuaram.
Andrei Rodrigues esteve no desfile e conversou com Fachin e com o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, antes da cerimônia. O advogado-geral da União, Jorge Messias, também participou do evento. Davi Alcolumbre acompanhou a solenidade ao lado de Lula e da primeira-dama Janja.
Atos em São Paulo
Em uma manifestação na Avenida Paulista, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) atacou Lula e Alexandre de Moraes. O candidato disse que, se eleito, indicará cinco ministros para o STF porque Moraes “vai cair”. Também afirmou que votar em Lula significa votar no ministro.
Ao falar do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio comparou a condenação dele ao atentado a faca sofrido durante a campanha presidencial de 2018, chamando o processo de “segunda facada” e “farsa”. O candidato também afirmou que pretende encerrar a polarização política com o fim do PT.
A manifestação teve cartazes contra Moraes, um boneco gigante de Lula vestido como presidiário e bandeiras do Brasil, dos Estados Unidos e de Israel.
Romeu Zema (Novo) também esteve na Avenida Paulista. Ele criticou os ministros Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Sobre Moraes, usou o termo “bandido” e chamou o grupo de “turminha”.
Zema disse que pretende procurar a ministra Cármen Lúcia, a quem classificou como “uma pessoa do bem”. Segundo ele, a consciência dela deve prevalecer sobre o espírito corporativista.
No Obelisco do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo, Renan Santos, do Partido Missão, criticou Lula, Flávio Bolsonaro e Augusto Cury. Ele questionou se Cury poderia representar uma alternativa eleitoral e classificou o discurso do escritor como pior que o dos outros dois candidatos.
Renan afirmou que Lula representaria um governo autoritário de esquerda e que Flávio Bolsonaro seria uma “oligarquia de corruptos do centrão”.
Agenda em Goiânia e no Rio
Ronaldo Caiado (PSD) acompanhou o desfile cívico-militar na Avenida Tocantins, no centro de Goiânia. Antes da cerimônia, ele e o governador de Goiás, Daniel Vilela, fizeram a revista às tropas em um jipe aberto do Exército Brasileiro, a partir do Palácio das Esmeraldas.
Caiado criticou o governo Lula nas áreas de segurança pública, corrupção e ciência e tecnologia. Ele acusou a gestão federal de ter “conivência com o crime no Brasil” e afirmou que o país teria sido devolvido ao crime, à corrupção e ao maltrato das pessoas.
No Rio de Janeiro, Augusto Cury (Avante) participou de um ato de campanha em Copacabana e declarou apoio a André Mendonça. O candidato defendeu a independência de Mendonça e Edson Fachin nas investigações de corrupção e disse que as apurações devem atingir qualquer pessoa, sem poupar integrantes do STF.








