O Senado mantém sob sigilo o número de policiais, os destinos das viagens e o custo da escolta de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência. A campanha também não informou quantos agentes atuam na proteção nem o valor da operação.
Até o fim de agosto, o Senado desembolsou cerca de R$ 4 milhões em diárias para missões de proteção e escolta. As passagens aéreas compradas até 12 de agosto somaram R$ 3,3 milhões. O total de 2026 chegou a aproximadamente R$ 7,4 milhões, mais de três vezes os R$ 2,33 milhões gastos durante todo o ano de 2022.
Os registros gerais da Casa mostram que o aumento ocorreu principalmente pela quantidade de pagamentos. O valor médio das passagens permaneceu em torno de R$ 2,2 mil, mas o número de pagamentos subiu de 325, em 2022, para 1.518 neste ano. Nas diárias, foram 898 pagamentos até agosto, contra 420 no mesmo período de 2025. O valor médio dos lançamentos ficou praticamente inalterado.
Justificativa do Senado
O Senado afirmou que a candidatura não muda a condição de Flávio como senador e que, por isso, ele pode continuar usando a escolta policial da Casa. A proteção foi autorizada em 2019, após pedido do parlamentar e análise de risco.
A Casa disse que sua polícia pode proteger senadores no Brasil e no exterior por determinação da Presidência do Senado. Também alegou que divulgar o efetivo, as avaliações de risco e os procedimentos poderia colocar agentes e a autoridade protegida em perigo. A resposta não esclareceu por que os valores permanecem sob sigilo.
Policiais do Senado atribuíram a maior parte do aumento das despesas à proteção de Flávio. Uma parcela menor estaria ligada a outros senadores candidatos, como Sergio Moro, que disputa o governo do Paraná. Os dados públicos, porém, não permitem confirmar essa divisão.
A Câmara adotou posição diferente. Hugo Motta negou o pedido para que policiais legislativos acompanhassem Alfredo Gaspar, candidato a vice-presidente na chapa de Flávio. A Casa afirmou que a candidatura é distinta do exercício do mandato e que a legislação atribui à Polícia Federal a segurança dos candidatos à Presidência.
Proteção e ameaças
A equipe do Senado também monitora publicações e mensagens nas redes sociais. Em agosto, um morador de Minas Gerais passou a ser investigado após publicar uma mensagem com dois emojis de facas em uma postagem sobre uma visita de Flávio a Juiz de Fora. A agenda foi cancelada por causa do mau tempo.
Antes do cancelamento, a Justiça autorizou a apreensão de aparelhos eletrônicos e proibiu o investigado de se aproximar a menos de 500 metros do candidato. Os advogados de Flávio citaram o ataque contra Jair Bolsonaro em Juiz de Fora durante a campanha de 2018.
Flávio recusou a proteção da Polícia Federal, embora um decreto autorize o serviço após a homologação das candidaturas nas convenções partidárias, mediante solicitação da campanha. Ao justificar a decisão, escreveu: “Não vou correr o risco de ele próprio infiltrar pessoas na minha campanha”.
A campanha do PL afirmou que Flávio é protegido “exclusivamente” pela Polícia do Senado. Segundo a equipe, os agentes usam veículos blindados, armamento pesado e recursos de ponta, além de treinamento em inteligência. Em compromissos pelo país, o candidato tem usado colete à prova de balas.








