SÃO PAULO — A Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) informou que vai questionar a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre a legalidade da venda de medicamentos com receita anunciada pelo Mercado Livre em São Paulo. A operação começa nesta sexta-feira, 25.
A entidade afirma que a comercialização de remédios por marketplaces continua proibida enquanto a regulamentação em discussão na Anvisa não for concluída. A posição inclui medicamentos sujeitos à prescrição médica e à retenção de receita.
“A venda anunciada de remédios por meio da plataforma, inclusive com receita, fere a legislação”, afirmou a Abrafarma em comunicado.
Como funcionará a operação
O Mercado Livre anunciou a nova modalidade nesta quinta-feira, 24, durante a 10ª edição do Meli Experience, realizado em São Paulo. Os consumidores poderão enviar a receita médica para avaliação de um farmacêutico da própria operação. A compra será liberada depois dessa análise.
A oferta inclui antibióticos e canetas para emagrecimento, como Ozempic. Fernando Yunes, CEO do Mercado Livre no Brasil, disse que a plataforma identificou muitas buscas por medicamentos e que a taxa de conversão desses produtos é maior do que a dos demais itens.
Posição da Anvisa e reação na Bolsa
A Abrafarma citou comunicado da Anvisa de 10 de agosto. Segundo a agência, a revogação de resoluções da vigilância sanitária não autoriza automaticamente a comercialização de produtos farmacêuticos, e a aplicação da nova lei depende de regulamentação ainda não editada.
O anúncio também afetou ações de empresas do setor. Os papéis da RD Saúde (RADL3) fecharam em queda de 5,38%, a R$ 18,45. Pague Menos (PGMN3) recuou 8%, a R$ 3,45, depois de chegar a cair mais de 10%. Panvel (PNVL3) teve baixa de 4,90%, a R$ 12,43. A RD Saúde registrou a segunda maior queda do Ibovespa nesta quinta-feira, 24.









