A volatilidade dos preços, as incertezas climáticas e a preocupação com o cumprimento de contratos aumentaram a procura de empresas de energia por derivativos e garantias financeiras. A avaliação é de Camila Batich, diretora-presidente da BBCE, plataforma de negociação do setor.
A BBCE encerrou agosto com R$ 10 bilhões em estoque de derivativos de energia, alta de 230% em relação ao mesmo período de 2025. O valor considera os contratos vigentes na plataforma, e não apenas as operações fechadas durante o mês.
Em entrevista, Batich afirmou que a mudança está ligada à maior preocupação das empresas com a segurança das transações. “A gente enfrentou uma crise de confiança que fez com que as empresas fizessem mais gestão de risco”, disse.
A sequência de recuperações judiciais e extrajudiciais de comercializadoras expôs dívidas de ao menos R$ 8,6 bilhões. Agentes do setor estimam que o passivo total possa superar R$ 10 bilhões. Os efeitos atingem a cadeia de contratos do mercado livre e também o mercado regulado, atendido pelas distribuidoras.
Proteção contra preços e inadimplência
Os derivativos são contratos financeiros ligados ao preço da energia e podem compensar impactos de oscilações desfavoráveis. Nas modalidades negociadas pela BBCE, a liquidação é financeira, sem entrega física de eletricidade.
Já o colateral funciona como garantia e pode envolver dinheiro ou ativos vinculados às operações. O objetivo é reduzir perdas caso uma das partes não cumpra suas obrigações. Nesse caso, o foco é o risco de crédito, e não somente a variação dos preços.
Segundo a BBCE, a maior parte das operações registradas no balcão envolve contratos não padronizados, ajustados às necessidades das partes. Eles são usados para proteção contra diferenças de preços entre regiões e riscos relacionados à geração eólica e solar, incluindo cortes de produção determinados pelo operador do sistema.
Clima e revisões de carga
O El Niño, as revisões nas projeções de consumo, a menor liquidez e os cortes de geração também influenciam as cotações. Batich disse que erros nas previsões se refletem nos preços negociados, com atenção especial aos contratos para 2027. “Temos visto uma tendência de diferentes preços, principalmente para 2027”, afirmou.
A executiva também citou os modelos de formação de preços e a crise de confiança como fatores de volatilidade. As revisões de carga no PMO, o Programa Mensal de Operação do ONS, o Operador Nacional do Sistema Elétrico, provocam mudanças nos preços exibidos nas telas de negociação.








