O Banco Central aplicou uma medida prudencial preventiva contra o Banco de Brasília (BRB) um mês antes de liquidar o Banco Master. A decisão restringiu novas aquisições de ativos e determinou o reforço dos controles de liquidez, além da elaboração de um plano para corrigir problemas identificados nas operações entre as instituições.
A ordem foi assinada por Belline Santana, então chefe do Departamento de Supervisão Bancária. Ele é investigado pela Polícia Federal sob suspeita de prestar consultoria informal ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e havia sido afastado da função no início de 2025, após uma auditoria interna do Banco Central.
Entre as determinações, o BC proibiu o BRB de adquirir títulos privados, cotas de fundos de investimentos, títulos de renda variável, carteiras de crédito e outros ativos de crédito com liquidação financeira efetiva ou troca de ativos com retorno financeiro adicional para o banco.
O BRB também teve de adotar controles para as operações de depósito interbancário na posição credora, com limites individuais compatíveis com a avaliação do risco da contraparte.
Plano de regularização
O banco regional recebeu prazo de 30 dias para apresentar um plano com atividades, prazos, conciliação e validação dos ativos internalizados. A conclusão deveria ocorrer em até 6 meses. A decisão ainda exigiu relatórios bimestrais sobre o andamento das medidas e a validação do valor justo dos ativos adquiridos.
A medida foi solicitada pela área técnica do Departamento de Supervisão Bancária após o crescimento acelerado das operações entre o Banco Master e o BRB a partir do 2º semestre de 2024. Segundo o setor, não houve análise criteriosa da qualidade dos ativos comprados, o que levou o BRB a realizar substituições sucessivas desses ativos.
O parecer apontou que o volume de aquisições afetou os limites operacionais e provocou o desenquadramento do índice de Basileia em janeiro e fevereiro de 2025. Em documento assinado em 14 de outubro de 2025, a área técnica afirmou: “Para não desenquadrar, o BRB realizou registros contábeis sem respaldo documental”.
O Banco Central também apontou falhas nos controles internos e na governança durante a internalização das carteiras. A área técnica destacou que o Banco Master era o principal cedente, embora a tentativa do BRB de adquirir parte do controle societário da instituição tivesse sido indeferida pelo BC.
No dia seguinte ao envio da nota técnica, em 15 de outubro de 2025, Belline aprovou a medida. Em 23 de outubro de 2025, o BRB comunicou ao Banco Central que havia cumprido as determinações.
A nova administração do BRB informou que renovou integralmente a diretoria executiva e contratou uma auditoria forense independente. O banco disse que os resultados foram enviados à Polícia Federal, ao Banco Central, ao Ministério Público Federal, à CVM e ao Judiciário. Também afirmou que adotou medidas administrativas, extrajudiciais e judiciais para proteger seus interesses e buscar eventual responsabilização.
A defesa de Belline declarou que ele exerceu as funções como servidor de carreira do Banco Central dentro dos limites de suas atribuições e afirmou que a exposição dos relatórios foi seletiva e fragmentada.








