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Biometano ganha espaço no transporte pesado e terá demanda obrigatória no Brasil
Economia

Biometano ganha espaço no transporte pesado e terá demanda obrigatória no Brasil

Estudo aponta potencial de redução de emissões e prevê aumento gradual da obrigação de uso do combustível a partir de 2026.

O biometano pode reduzir custos e emissões no transporte pesado, dependendo das condições de produção e operação. Um estudo internacional encomendado pelo Instituto MBCBrasil também identifica oportunidades para o Brasil na produção do combustível e na exportação de tecnologias, equipamentos e serviços associados.

Produzido pela biodigestão de resíduos agrícolas, dejetos animais, lixo urbano e esgoto, o biometano já é fabricado em cerca de 40 países e usado no transporte em quase 30 mercados. A estimativa reunida no levantamento indica potencial sustentável global de cerca de 1 trilhão de metros cúbicos por ano, equivalente a aproximadamente 25% da demanda mundial de gás natural.

Potencial brasileiro

No setor sucroenergético, o potencial brasileiro é estimado em 41,4 bilhões de metros cúbicos de biometano por ano, volume equivalente a mais de 41 bilhões de litros de diesel. Atualmente, menos de 2% desse potencial é aproveitado.

Na safra 2024/2025, o país processou cerca de 680 milhões de toneladas de cana-de-açúcar e gerou aproximadamente 380 bilhões de litros de vinhaça. O resíduo pode ser usado na produção de biogás e biometano.

O estudo cita experiências comerciais em unidades da Cocal, da Raízen, da São Martinho e da Adecoagro. Em Narandiba, no interior de São Paulo, a Cocal produz cerca de 50 mil Nm³ de biometano por dia desde 2020. A empresa também opera uma unidade em Paraguaçu Paulista, com produção estimada entre 30 mil e 40 mil Nm³ por dia.

Emissões e custos

Projetos baseados em dejetos e resíduos podem alcançar emissões líquidas negativas de até -246% em relação ao diesel quando são considerados créditos pela eliminação de emissões fugitivas de metano. O levantamento também aponta redução de até dez vezes nas emissões de material particulado e fuligem.

Nas simulações para o Brasil, o custo por quilômetro do biometano variou de 30% abaixo a 25% acima do diesel. O cálculo considera aquisição, manutenção e operação do veículo ao longo de sua vida útil.

A receita das plantas pode incluir, além da venda do combustível, tratamento de resíduos, comercialização de digestato como biofertilizante e créditos de carbono. Em mercados mais maduros, essas fontes respondem por entre 20% e 60% da receita total.

Nova regra

A Lei do Combustível do Futuro, Lei nº 14.993/2024, criou o Certificado de Garantia de Origem de Biometano. O mecanismo permite separar a molécula física do combustível de seu atributo ambiental para o cumprimento de metas de redução de emissões no mercado de gás natural.

A obrigação começa em 0,5% em 2026 e deverá aumentar gradualmente até 10%.

Para Gláucia Mendes Souza, professora da Universidade de São Paulo e uma das responsáveis pelo estudo, o combustível pode impulsionar a transição energética no transporte terrestre. José Eduardo Luzzi, presidente do Conselho de Administração do Instituto MBCBrasil, afirmou que o avanço do setor também pode ampliar a atuação brasileira como fornecedora de tecnologia e inovação.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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