O economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato, afirmou que os Estados Unidos passaram a apresentar instabilidade semelhante à associada pelo mercado a países em desenvolvimento. A avaliação ocorreu durante um painel da B3 Week, com participação de Chris Egan, CEO da B3, e Diogo Guillen, economista-chefe do Itaú.
Honorato disse que o desempenho dos mercados emergentes está mais relacionado à fragilidade das economias desenvolvidas do que a uma força própria. "A razão pela qual os emergentes estão performando acima é o desempenho abaixo do esperado dos mercados desenvolvidos", afirmou.
O economista também declarou que o Ibovespa acumula ganhos expressivos no ano em dólar e supera o S&P 500. O movimento é associado por analistas à rotação de portfólio para fora dos ativos americanos.
Política econômica dos EUA
Para Honorato, a política macroeconômica americana passou a apresentar características vistas com frequência em mercados emergentes. Ele citou como exemplo a tentativa do governo de Donald Trump de restringir o voto pelo correio nas eleições de meio de mandato de novembro. A Suprema Corte dos EUA rejeitou o pedido e manteve os procedimentos atuais de envio das cédulas nos estados.
O economista afirmou ainda que identifica, desde o início de 2025, uma saída de ativos americanos, com diversificação para longe do dólar ou dos títulos do governo dos Estados Unidos. Segundo ele, o problema está na política econômica, e não na economia real.
"O setor privado americano está indo muito bem, a inteligência artificial está indo fantasticamente bem, mas, no fim das contas, vimos uma piora na política econômica dos EUA", disse.
Guillen ponderou que os mercados emergentes não devem ser analisados como um bloco único. Ele citou diferenças relacionadas a carrego, commodities e risco geopolítico.








