SÃO PAULO — A consultoria brasileira CELA e a IFC, braço do setor privado do Banco Mundial, firmaram um acordo para capacitar instituições financeiras e facilitar o financiamento de projetos de armazenamento de energia por baterias na América Latina e no Caribe.
A iniciativa será voltada a bancos comerciais, bancos de desenvolvimento, investidores institucionais, empresas de leasing e reguladores. O programa vai explicar o funcionamento dos Sistemas de Armazenamento de Energia por Baterias, conhecidos como BESS, e os critérios para avaliar a viabilidade financeira desses projetos.
O acordo foi anunciado na quinta-feira, 11, em São Paulo, durante um evento com especialistas dos setores de energia e financeiro. A CELA ficará responsável pelo conteúdo técnico, incluindo tecnologias de BESS, dinâmica de mercado, regulação, análise de bancabilidade e oportunidades comerciais.
Para Camila Ramos, CEO da CELA, o avanço do setor depende também da compreensão dos riscos e dos modelos de negócio pelos agentes financeiros. “O desenvolvimento desse mercado depende, além da evolução tecnológica e regulatória, da capacidade do setor financeiro de compreender os riscos, os modelos de negócio e as oportunidades associadas ao BESS”, afirmou.
A IFC vai integrar o programa à Green Banking Academy (GBAC), plataforma que capacita instituições financeiras da América Latina e do Caribe em financiamento verde. A formação poderá ocorrer por meio de cursos abertos, treinamentos para empresas, workshops, seminários técnicos e mesas-redondas regionais. O foco inicial será o Brasil, a América Latina e o Caribe, com possibilidade de expansão para outros mercados.
Mercado em estruturação
A parceria ocorre enquanto o setor brasileiro avança na definição das regras para os primeiros leilões de BESS de grande porte. No início de setembro, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) realizou uma audiência pública sobre o tema. O leilão está previsto para dezembro.
O Ministério de Minas e Energia (MME) publicou as diretrizes do certame, aguardado desde 2024. A expectativa é movimentar mais de R$ 10 bilhões em investimentos e contratar cerca de 2 gigawatts (GW) de capacidade de armazenamento.
Os BESS podem guardar energia gerada por fontes solar e eólica quando há maior oferta e devolvê-la à rede nos períodos de demanda mais alta ou quando for necessário reforçar a estabilidade do sistema. Sem histórico consolidado e métricas de risco amplamente compreendidas, projetos desse tipo enfrentam dificuldades para obter crédito e capital em condições competitivas.








