O Dia do Cliente, comemorado em todo o país em 15 de setembro, ocorre em meio a uma mudança na forma como as pessoas pesquisam, comparam e compram produtos e serviços. A inteligência artificial passou a participar de etapas que antes eram realizadas diretamente pelo consumidor, como a seleção de ofertas e a avaliação de alternativas.
Em vez de consultar dezenas de resultados, o usuário pode receber opções pré-selecionadas por sistemas que cruzam dados sobre preço, estoque, características e prazo de entrega. Para as empresas, isso aumenta a importância de manter informações claras, estruturadas, confiáveis e atualizadas.
“As empresas precisam entender que a competição não é mais apenas por cliques no Google, mas por relevância dentro dos sistemas de inteligência artificial”, afirma Eduardo de Barros, especialista em marketing digital e CEO da IDK Brasi. Segundo ele, uma presença digital consistente pode ampliar as chances de uma marca ser considerada nas respostas produzidas por esses sistemas.
A produção de conteúdo corporativo também precisa se adaptar. Thiago da Mata, especialista em vendas online e CEO da Kwara, diz que a inteligência artificial se tornou uma intermediária na interpretação das informações antes que elas cheguem ao consumidor. A governança de dados passa a influenciar diretamente a visibilidade dos produtos.
Automação e confiança
A evolução inclui agentes capazes de avançar da recomendação para a execução de transações. Com autorização do usuário e regras de segurança, o Open Finance pode permitir o compartilhamento de dados financeiros entre instituições e criar condições para que serviços analisem informações e executem ações em nome do consumidor.
A disposição para delegar decisões tende a depender da tarefa. Atividades simples e repetitivas podem ser mais facilmente automatizadas, enquanto operações com valores elevados, dados sensíveis ou compromissos de longo prazo exigem limites mais claros.
O pagamento também passou a ser visto como parte da experiência, e não apenas como o encerramento da compra. A integração com serviços financeiros pode reduzir a fragmentação da operação e ampliar o controle das empresas sobre a cadeia comercial, afirma Gustavo Siuves, CRO da Azify.
A adoção das novas ferramentas não se limita aos consumidores mais jovens. O estudo “40+: Poder, Consumo e Novos Significados”, da MindMiners, aponta que 80% do público com mais de 40 anos se sente confortável usando recursos digitais no dia a dia. Além disso, 67% fazem compras online e 49% já utilizam ferramentas de inteligência artificial, como ChatGPT, Gemini e Copilot.
Para Thiago Muniz, professor da Fundação Getulio Vargas, fatores como confiança, preço, prazo de entrega e reputação da loja continuam decisivos. A inteligência artificial pode reduzir a indecisão e o esforço em tarefas repetitivas, mas não substitui o senso crítico do consumidor. O desafio para as empresas é combinar conveniência, transparência e controle humano.








